(...) Passados todos os tempos que não sei contar, tu e eu tornámo-nos no que não quiseste. Hoje não nos odiamos, apenas não articulamos. Escondemos a transição de pensamentos e escolhemos comunicar por acenos de cabeça ou sorrisos que em nada se assemelham com a realidade. Há muito muito tempo, isso nunca seria possível sem que a distância entre nós se encurtasse e o mal fosse cortado pela raiz. Não poderíamos ver um de nós a mergulhar na dor sem entrar no mesmo mar. Não pude evitar, e sei que a culpa é minha. Tomei-te numa eternidade que se esqueceu de existir e fiquei preso no tempo que ninguém ousou querer. Sou um tempo perdido que todos saltam e que, mais uma vez, te vê a retroceder (propositadamente) os ponteiros de um relógio que desespero para que avance.
M.S.














