terça-feira, 28 de abril de 2015

whataboutme?



Aprendi errado. De alguma forma assimilei que devia ser generoso. Ensinaram-me que dessa forma o karma sorriria para mim. Quem me mentiu? Tudo está do avesso. Pisam-me. Fazem troça de mim. Pedem mais. E eu deixo. Mas – mesmo indo além do aceitável por quem gosto – sinto sempre que não é suficiente. A razão pela qual o faço é uma verdade difícil de engolir. Estou sozinho. Nunca estive tão certo de algo. E mesmo sabendo isso, eu tento contornar esta prisão.
Mais um gesto – penso – mais uma palavra que eleve quem está no chão e mais um sacrifício pessoal. Vai ser o último, vais ver. Depois disto, vão-te dar valor e não te vais sentir abandonado. Vais ter alguém. Tudo o que deste irás receber de volta. Vais ser feliz.
Não é triste? Ter que me rebaixar para ter alguém que goste de mim e falhar? Ver tudo o que fazes ser atirado para o lixo enquanto te relembram o quão insuficiente és? Patético.
Que karma é este? Ele ecoa nas paredes de betão que me revestem mas não chega a mim. Faz-me ter inveja de quem é feliz sem ter direito de o ser; faz-me ter inveja de quem não quero. E eu? Quando chega a minha felicidade, karma?
Será que nem tu te lembras de mim?...

domingo, 26 de abril de 2015

5yearsago


(...)

Por isso deixo todas as palavras que tenho como forma de guia para que a dor seja menos intensa e as feridas menos profundas. 
Aqui vai.

Anda com cuidado. Vê onde colocas os pés. Muitas vezes és irracional e saltas sem ver se tens onde cair. Não vão ser quedas bonitas. Vais sangrar muito e esquecer-te do motivo pelo qual estás vivo. Os teus pés vão deixar de ser o teu apoio sem que tu percebas que mais ninguém te vai meter hirto. Dá um passo de cada vez e não olhes para trás. Se continuares a tropeçar nas mesmas pedras, nunca vais sair do chão.

Não ouças o que te dizem. Costumavas não dar ouvidos a palavras venenosas, lembras-te? Procura essa força e trá-la de volta. O veneno é lento mais vai acabar por te alcançar. E vai doer. Vai fazer arder todas as facadas que te foram feitas quando menos esperavas. Cospe-o.

Vais conhecer e reencontrar pessoas que vão mudar a tua vida. Isso vai ser o teu calcanhar de Aquiles. Vais perceber que és vulnerável e vais sentir nojo de ti. Não vais conseguir perceber como podes dar tudo de ti e receber nada em troca. A dor vai ser devastadora. Mal vais conseguir sobreviver – e eu bem sei que não vais fazer por isso – mas terás sempre força para mais um dia.

Quero que saibas que nunca perderás a esperança. Vais chegar aqui. Desfeito, em carne viva mas ainda aqui. Mesmo que as coisas pareçam tão insuportáveis que tu penses que não vais aguentar. Ou mesmo quando cada centímetro de carne exposta te arder como brasa. O ar vai sempre ser suficiente para mais um segundo. A escuridão vai sempre desaparecer com o sol.

Aguenta. Vais ser muito feliz. De uma forma que nunca experimentaste antes. Isso, claro, vem com um custo. Um custo muito elevado. Mas e então? De que forma aproveitarias os bons momentos sem conheceres o sabor dos maus? Não te posso dar mais palavras. Não sei o que se segue. Sei que ainda custa e que cada dia é uma batalha. Sei que não tenho onde ou a quem me agarrar. Amanhã é outro dia. E quem sabe amanhã seja o dia.

Tenta sorrir mais. Ninguém precisa de saber o que se passa. Tenta. Por ti, tenta.


quinta-feira, 23 de abril de 2015

parallel lines



Finjo sempre que não existes. Evito ao máximo falar de ti e se o faço é de forma passageira. Não é por mal – não quero que penses que tenho vergonha, – mas é que ninguém me disse que seria assim. Quando ouvi falar disto nunca esperei que fosse tão difícil. Quilómetros e quilómetros de dificuldade.
Prefiro então engolir tudo isto e não te mencionar sequer. Custa menos. Custa muito menos que ter de admitir as saudades que tenho tuas. E só assim fecho os olhos aos quão distantes estamos e às tuas fracas tentativas de me aproximar de ti. 

segunda-feira, 13 de abril de 2015

?????



Não devia ser assim. Já escrevi esta frase tantas vezes. Não devia ser assim. Mas é. E não faz sentido. Não consigo respirar. Estou tão triste. Esta guerra não termina. Não deixo as minhas feridas sararem; não deixo que as vejam – quero lembrar-me da dor. Ela não me abandona. Ela diz-me que não estou sozinho. Mas mente; mas estou.
Todos os dias eu me afundo mais um pouco e ninguém repara. Vejo tudo desfocado. Sabes o quanto dói estar assim tão sozinho? Não, claro que não.  E isso, de uma forma egoísta, faz-me sentir pior. Ninguém precisa de mim. Que importa se estou aqui? Que importa?

sábado, 11 de abril de 2015

stone



Consigo agora ver que tenho coração. Ele cá está, batendo pesadamente, mas não está inteiro. Funciona mal e a meio gás. Dá tudo nos momentos errados e pára com medo, como um animal assustado, quando é preciso.
Quando me despedi de ti e te deixei doce e magoada, deixei-te com metade deste. Ou até mais, nem sei. O que sei é que o resto que ficou comigo petrificou-se. Agora vejo-o; agora sinto-o – é pedra.
Afinal eu tenho coração. Só que já não sei usá-lo.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

can't take this shit anymore



Mas como é possível? Como conseguir viver com este azar? Cada passo que dou, tropeço em algo que se mete entre os meus pés. Sou uma merda. Nada do que faço está bem. Eu tento ser positivo. Tento ver as coisas de outra forma. Mas não dá! Cada acção é uma estalada na cara. Não sei o que faço aqui. Isto não é viver.