terça-feira, 28 de abril de 2015

whataboutme?



Aprendi errado. De alguma forma assimilei que devia ser generoso. Ensinaram-me que dessa forma o karma sorriria para mim. Quem me mentiu? Tudo está do avesso. Pisam-me. Fazem troça de mim. Pedem mais. E eu deixo. Mas – mesmo indo além do aceitável por quem gosto – sinto sempre que não é suficiente. A razão pela qual o faço é uma verdade difícil de engolir. Estou sozinho. Nunca estive tão certo de algo. E mesmo sabendo isso, eu tento contornar esta prisão.
Mais um gesto – penso – mais uma palavra que eleve quem está no chão e mais um sacrifício pessoal. Vai ser o último, vais ver. Depois disto, vão-te dar valor e não te vais sentir abandonado. Vais ter alguém. Tudo o que deste irás receber de volta. Vais ser feliz.
Não é triste? Ter que me rebaixar para ter alguém que goste de mim e falhar? Ver tudo o que fazes ser atirado para o lixo enquanto te relembram o quão insuficiente és? Patético.
Que karma é este? Ele ecoa nas paredes de betão que me revestem mas não chega a mim. Faz-me ter inveja de quem é feliz sem ter direito de o ser; faz-me ter inveja de quem não quero. E eu? Quando chega a minha felicidade, karma?
Será que nem tu te lembras de mim?...