Consigo
agora ver que tenho coração. Ele cá está, batendo pesadamente, mas não está
inteiro. Funciona mal e a meio gás. Dá tudo nos momentos errados e pára com
medo, como um animal assustado, quando é preciso.
Quando
me despedi de ti e te deixei doce e magoada, deixei-te com metade deste. Ou até
mais, nem sei. O que sei é que o resto que ficou comigo petrificou-se. Agora
vejo-o; agora sinto-o – é pedra.
Afinal
eu tenho coração. Só que já não sei usá-lo.