sexta-feira, 2 de outubro de 2026

smell me

Às vezes, gostava de nos ver como uma terceira pessoa.

Um espectador qualquer.

Que imagem passaríamos para o mundo? Seriamos os invencíveis que, um dia, acreditei sermos? Ou a simples questão, “mas como é que aqueles dois estão juntos?”.

Prometi a mim mesmo que não pensaria no quão inferior a ti me senti desde o primeiro instante, mas, por vezes, acabo por debruçar-me sobre a esta ideia que não leva a lado nenhum.

Por momentos, no meio do “o que é meu, é teu”, de forma bastante juvenil, pese embora a nossa idade, vesti-me de ti.

Era teu.

Não tenho como saber o que pensaram de nós, ou se, hoje, ainda se lembram de que se tu estavas, eu também estaria.

O que sei, é que, apesar do “para sempre” prometido, hoje as feridas curaram.

E ontem, quando passei por alguém que usava o teu perfume – aquele que alojou nostalgia no lado esquerdo do peito – percebi que nunca gostei daquele cheiro.

Era apenas teu.

E eu, hoje, já não sou.