Às vezes, gostava de nos ver como uma terceira pessoa.
Um espectador qualquer.
Que imagem passaríamos para o
mundo? Seriamos os invencíveis que, um dia, acreditei sermos? Ou a simples questão,
“mas como é que aqueles dois estão juntos?”.
Prometi a mim mesmo que não
pensaria no quão inferior a ti me senti desde o primeiro instante, mas, por
vezes, acabo por debruçar-me sobre a esta ideia que não leva a lado nenhum.
Por momentos, no meio do “o que é meu, é teu”, de forma bastante
juvenil, pese embora a nossa idade, vesti-me de ti.
Era teu.
Não tenho como saber o que pensaram
de nós, ou se, hoje, ainda se lembram de que se tu estavas, eu também estaria.
O que sei, é que, apesar do “para
sempre” prometido, hoje as feridas
curaram.
E ontem, quando passei por alguém
que usava o teu perfume – aquele que alojou nostalgia no lado esquerdo do peito
– percebi que nunca gostei daquele cheiro.
Era apenas teu.
E
eu, hoje, já não sou.