Isto que sinto, como o explico?
Posso dizer, talvez, que é como
uma espécie de lençol de verão, na chegada do outono.
Com o pé de fora da cama, para
não ter calor, sinto-me tão confortável que nem reparo na apatia que se abate
sobre o meu corpo. Familiarizado com esta tristeza que me é inerente e que me
faz desejar mais, abraço a melancolia como uma almofada confortável.
E deixo-me ficar.
Nesta casa que criei, sozinho,
com a ajuda de todas as pessoas que me deixaram aqui. Sozinho, eu e os
fantasmas, vendo-os ir e voltar. Debruçado sobre o colchão, acrescentando lençóis
e mantas para sentir algum peso – desejando, secretamente, que me esmague de
vez.
No entanto, se quiser ser cru,
acho que posso dizer que hoje foi só um dia mau.
Um dia em tantos outros.
Só mais um.