Se escrever fosse ar, penso, não sabia mais respirar. Asfixiado a olhar para o papel, à procura das palavras certas para dizer que não consigo sentir mais que isto. E mais que isto, é pouco.
Deixo-me ficar sufocado, palavras
entaladas na garganta, impedindo qualquer passagem de ar.
Sem oxigénio.
Parece que só consigo respirar
quando a dor se faz sentir em mim, como que só assim conseguisse ser eu. No fundo,
a mera inexistência de inspiração deixa-me tão frustrado que fico neste
impasse. Sustendo a minha respiração até que algo aconteça.
Algo surja.
Algo me magoe.
Algo.
Mas nada acontece. De tal forma
que, como sou masoquista, acabo por calçar as minhas sapatilhas e sair de casa.
E corro. Corro à procura da dor.
Corro por aquele caminho que
costumo seguir.
Em círculos, em redor de ti.
Num “tudo o que vai, volta”.
Sempre até nós.
Perdido.