Na minha lista de contactos, és a única pessoa que tenho bloqueada.
Nunca
tinha bloqueado alguém antes.
Engraçado
que, no início, tu disseste-me que bloqueavas, facilmente, quem não querias na
tua vida e eu não percebi. Achei sinal de imaturidade emocional. No entanto,
não contestando, interpretei como seres uma pessoa que se desprendia de quem
não acrescentava.
Tinhas
algum orgulho, até, quando o dizias.
Depois,
quando as coisas se inverteram, e acabei por te bloquear, percebi que, talvez,
eu estivesse certo desde o início.
Imaturidade
emocional foi o que me fez bloquear-te – mas não foi a minha.
De
certa forma, fizeste-me igual a ti.
Não
esperei que a tua insistência se tornasse em ansiedade.
Ainda
hoje, não tolero bem a ideia de te encontrar.
Pelos
entretantos, conseguiste enviar-me uma mensagem que, depois, apagaste porque
não te respondi.
Passaram
vários meses desde então.
De
vez em vez, depois de todas as pessoas que te substituíram, ainda vou ver as
fotografias que deixámos na conversa. E ontem foi um desses dias.
Sabes
o que é mesmo irónico?
A
primeira mensagem que me enviaste, depois de trocarmos contactos, foi:
“Bloqueia-me”.
E
não é que o fiz?
Acho
que ambos tivemos o que merecíamos.
Uma
verdadeira história de amor.