quinta-feira, 10 de setembro de 2026

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Como assim não tens o meu número?”, perguntaste-me.

Quis dizer-te, naquele momento, que a vida seguiu. A perder mais que ganhar desde ti, mas, em frente.

Demorei muitos anos a ultrapassar, mas, agora, estou aqui, a dançar a música que tantas vezes me fez chorar. Abraçando-a como se fosses tu.

Como se fosses.

Mas tu já não és tu; eu não sou mais aquele eu, e; eu e tu não somos mais um.  

Já não me dói respirar.

Quis dizer-te.

Quis doer-te.  

Mas não o fiz.

Mudei de telefone.”, disse-te.

Guardei o teu número, mais um no meio de toda a minha lista de contactos, e ficámos assim.

Eu aqui, onde aprendi a viver sem ti, mesmo que a ver-te em toda a parte.

E tu aí, onde guardaste o meu número, por motivos que nunca saberei, quando foste tu que me largaste.