“Como assim não tens o meu número?”, perguntaste-me.
Quis
dizer-te, naquele momento, que a vida seguiu. A perder mais que ganhar desde ti,
mas, em frente.
Demorei
muitos anos a ultrapassar, mas, agora, estou aqui, a dançar a música que tantas
vezes me fez chorar. Abraçando-a como se fosses tu.
Como
se fosses.
Mas
tu já não és tu; eu não sou mais aquele eu, e; eu e tu não somos mais um.
Já
não me dói respirar.
Quis
dizer-te.
Quis
doer-te.
Mas
não o fiz.
“Mudei
de telefone.”, disse-te.
Guardei
o teu número, mais um no meio de toda a minha lista de contactos, e ficámos
assim.
Eu
aqui, onde aprendi a viver sem ti, mesmo que a ver-te em toda a parte.
E
tu aí, onde guardaste o meu número, por motivos que nunca saberei, quando foste
tu que me largaste.