segunda-feira, 7 de setembro de 2026

viscerally

Tal qual um duvet de penas, quente e confortável, este meu lugar nem arrefeceu antes que eu o ocupasse novamente.

Eis-me aqui, sempre, nesta posição: quentinho; confortável e; de livre vontade!

Quão estúpido posso ser?”, pergunto-me.

Não tem explicação. É como se gostasse de estar aqui. como se achasse que o duvet é tão confortável que não importa se o seu peso me esmaga até doer.

E dói. Nas entradas do pouco que sou, dói.

Eu dou. Dou e dou e dou. E recebo nada de volta.

Querem o meu mundo? Certo, sem problema, estendam a mão.”

“A minha vida? Tudo bem, que mais querem?”

Mas, e quando é ao contrário? Quando preciso de uma única coisa – só uma –,  e não a tenho?

Reciprocidade.

Parece que não aprendo. Espero sempre por algo. Espero e espero. Mas uma e outra vez, apenas vejo um lado da moeda e é o errado – unilateral.

A verdade é simples.

Ninguém faz por mim o que eu faço por eles.

Ninguém gosta de mim da forma que eu gosto.

Não sou a primeira opção de alguém e nunca serei.

E mesmo assim, têm-me como garantido. Garantido como, na verdade, sou. Substituível e sempre lá, à espera dos restos que têm para me dar. À espera, de cauda a abanar.

Acabo por pensar que se a falta de amor-próprio fosse uma condição clinica, eu teria atestado de incapacidade permanente.

Enfim.

A vida não é para todos. E talvez não seja para mim.

Pelo menos na vida dos outros…