Tal qual um duvet de penas, quente e confortável, este meu lugar nem arrefeceu antes que eu o ocupasse novamente.
Eis-me aqui, sempre, nesta
posição: quentinho; confortável e; de livre vontade!
“Quão estúpido posso ser?”,
pergunto-me.
Não tem explicação. É como se
gostasse de estar aqui. como se achasse que o duvet é tão confortável que não
importa se o seu peso me esmaga até doer.
E dói. Nas entradas do pouco que
sou, dói.
Eu dou. Dou e dou e dou. E recebo
nada de volta.
“Querem o meu mundo? Certo,
sem problema, estendam a mão.”
“A minha vida? Tudo bem, que mais
querem?”
Mas, e quando é ao contrário? Quando
preciso de uma única coisa – só uma –, e
não a tenho?
Reciprocidade.
Parece que não aprendo. Espero sempre
por algo. Espero e espero. Mas uma e outra vez, apenas vejo um lado da moeda e
é o errado – unilateral.
A verdade é simples.
Ninguém faz por mim o que eu faço
por eles.
Ninguém gosta de mim da forma que
eu gosto.
Não sou a primeira opção de alguém
e nunca serei.
E mesmo assim, têm-me como
garantido. Garantido como, na verdade, sou. Substituível e sempre lá, à espera
dos restos que têm para me dar. À espera, de cauda a abanar.
Acabo por pensar que se a falta
de amor-próprio fosse uma condição clinica, eu teria atestado de incapacidade
permanente.
Enfim.
A vida não é para todos. E talvez
não seja para mim.
Pelo menos na vida dos outros…