segunda-feira, 18 de outubro de 2021

inevitavelmente

Neste caos quotidiano em que me insiro, não me sinto. Não me sinto mesmo quando sinto demais.

Contorce dentro de mim, esta inquietude, num mudo grito. Não lhe percebo o dialeto, por mais que tente. Não percebo mas ouço-o – rasgando de forma invisível, escrevendo nas entrelinhas do que sou.

Em meu redor, paredes de pessoas exceto tu.

E por mais que tente, não consigo. E agora? Sempre quase, sempre aquém. Não te encontro, não me encontro.

Talvez se me levares, para longe, talvez. Talvez eu não seja tão medíocre. Talvez, escrevo, mesmo sabendo que se fugir contigo, um dia tu fugirás de mim.

Se me encontrares, um dia, levas-me daqui? Pode ser?

Mesmo que depois fujas, mesmo que o faças.

Ser abandonado por ti será o meu mais doloroso privilégio.

Faz o pior que conseguires.

Por favor.