sábado, 21 de fevereiro de 2015

- ouch.



Talvez se a minha dor não fosse muda eu não faria isto a mim mesmo. Mas ela é assim, calada. Um eco silencioso que ensurdece e não me deixa explicar. Eu tento mas nem eu entendo. Que diria eu?

Permitiria a alguém percorrer com os dedos as marcas que tenho no corpo? Como iria explicar que cada linha branca é uma noite de desespero? Perceberiam que o meu corpo é um campo de batalha de uma guerra que estou a perder? Não. O meu orgulho é cego e já nem eu quero acreditar que não consigo vencer.  

Enquanto isso, vejo-me a ficar sem espaço para derrotas. E agora?

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

ur pain



Não tenho força que chegue, admito. Arranjo corta-matos para aliviar o que sinto e tento remendar a cuspo cada peça que perco. Mas tudo muda quando te vejo mal. Quando sinto a tua tristeza, eu sinto-a sem fugir. Descubro que afinal existe uma força qualquer em mim – uma força que tu puxas sem saber – e uso-a para te ajudar, sem corta-matos e remendes. Tento agarrar-te e roubar a tua dor. Tento tomá-la e fazer-te esquecer. E quando foges de mim porque não consegues suportar o que te rodeia, eu não sei como agir. Queria que entendesses que os teus problemas são os meus e que não há nada que não fizesse por ti.

Tens-me para o que der e vier. E não tens de fugir. Nunca de mim. Eu aceito-te pelo que és. Eu aceito qualquer coisa mesmo que isso me magoe. Mas se preferires fugir, vai. Vai e volta quando estiveres preparado.

Eu vou sempre esperar por ti. Eu vou sempre encontrar-te.    

sábado, 14 de fevereiro de 2015

valentine.



Faz hoje um ano. Lembras-te?

Foi uma discussão ridícula. O orgulho impediu-te de falar, a insegurança impediu-me de ouvir. Chateámo-nos e estragámos o dia. Mais tarde tu desculpaste-te com acusações e eu desculpei-me por te ter desculpado.

Passou um ano. Ainda me lembro de como disseste que não querias ter passado o dia daquela forma e que tinhas imaginado um outro cenário na tua cabeça. Ainda me lembro de te dizer que também o tinha imaginado de maneira diferente e de esconder em mim mais uma ferida feita por ti.

Deixámos tanto por viver, não achas? E é uma pena que assim seja. Agora não há nada a fazer excepto recolher remorsos e errar com outra pessoa que não tu.

Feliz dia dos namorados. Espero que alguém te dê um melhor dia do que aquele que te consegui dar.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

fall



E é quando estás no chão do teu quarto – tentando com todas as tuas forças entender como te deixaste cair – que percebes que não é por falares todos os dias com uma pessoa que a conheces.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

gravidade



Lembraste daquelas pequenas coisas que tu fazias para me mostrares que eu era a pessoa mais importante da tua vida?
Quando me pediste para alterar a tua passe pela minha para termos a mesma. Quando me perguntavas se eu queria algo, porque ias buscar para ti, ignorando se as pessoas que nos rodeavam também o queriam. O código que inventaste para perguntarmos, sem que ninguém percebesse, se podíamos falar. Quando sugeriste que fizéssemos uma cópia da chave da casa para trocarmos e entrarmos quando quiséssemos.
Como as coisas mudaram, não é?
Não quero esses tempos de volta, não penses que é esse o caso, mas não consigo evitar uma pequena ponta de saudades. Antes era o centro de gravidade de alguém. Agora nem encontro o meu.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

badluckorwtv



Nem eu entendo. Isto aloja-se no meu peito e tira-me o ar. A minha mente viaja para aqueles locais obscuros que tanto receio e fico paralisado. Não consigo pensar em nada a não ser nisto. As minhas mãos tremem e os olhos enchem-se de lágrimas. A dor de tentar respirar é confusa e eu só quero que pare. Fico aflito. Sinto o peso do vazio dentro de mim e ouço o azar bater-me à porta. Tira-me as forças. Deixa-me caído. Fico assim, sem nada, esperando por algo. Acabo por pensar que nada vem mas sempre chega. E quando chega acabo por desejar que não tivesse vindo.
Recebo a bofetada meio admirado meio conformado. Esta foi a última – penso – não pode durar para sempre e as coisas vão melhorar. Mas estou errado.
Não sei como sair daqui. Não sei para onde ir. A cada passo que dou tropeço numa pedra e volto a cair. Consigo ver sombras que quem continuou em frente e esboço um sorriso. Por momentos a felicidade deles chega-me. Por momentos eu volto a acreditar que a minha vez está próxima. E por momentos esqueço-me de olhar para o chão. Mas tropeço. Tropeço sempre. Agora a força é pouco mais que nula. O azar já nem bate à porta e entra de rompante como se fosse dono da minha vida.
Então eu penso que estou a criar drama desnecessário. Que talvez seja tudo da minha cabeça e que este azar seja eu a plantar por uma qualquer necessidade de tragédia. Penso e quase que acredito.
Infelizmente para mim, isso não faz parar a dor de respirar.