Talvez
se a minha dor não fosse muda eu não faria isto a mim mesmo. Mas ela é assim,
calada. Um eco silencioso que ensurdece e não me deixa explicar. Eu tento mas nem
eu entendo. Que diria eu?
Permitiria
a alguém percorrer com os dedos as marcas que tenho no corpo? Como iria
explicar que cada linha branca é uma noite de desespero? Perceberiam que o meu
corpo é um campo de batalha de uma guerra que estou a perder? Não. O meu orgulho é cego e já nem
eu quero acreditar que não consigo vencer.
Enquanto
isso, vejo-me a ficar sem espaço para derrotas. E agora?