Tu
não sabes mas quando me ligas e reconheço a tua voz de choro, fico
automaticamente com lágrimas nos olhos. Não sei o que fazer. Fico aflito por
saber que estou longe para te ajudar. Pergunto-te o que se passa com a voz mais
calma que consigo fingir e aguento a vontade que tenho de te abraçar e fazer
com que tudo fique bem. Sabes qual é o meu medo? Não te conseguir proteger. E
isso assusta-me mais que muito. A ideia de que algo te faz ficar mal tira-me do
sério. A princípio fico sempre sem reacção. Tento dizer o melhor para ajudar e
quando não descubro uma solução, odeio-me em silêncio. De seguida digo coisas
aleatórias com a plena noção de que em nada ajudam mas não paro de falar. Estou
lá para ti – como sempre estarei – e finjo que não tenho uma única preocupação
no mundo e que tudo se vai resolver. Mas não é assim…
Se
estás mal por culpa de alguém, odeio-o com todas as minhas forças. Se estás mal
por alguma situação, procuro todas as soluções do mundo. E então quando estás
mal por algo que não está ao meu alcance, eu fico assim. Impotente.
Desculpa-me. A única coisa que queria era que nunca visses que as coisas podem
correr mal e que nem sempre a vida é como queremos. Falhei. Mas aconteça o que
acontecer, vou estar aqui contigo. Nos dias maus e nos dias bons. E é isto que
te prometo. Não é suficiente – nunca será suficiente – mas é tudo o que tenho.
Tu e eu.