A
perda ainda se senta ao meu lado. E desta vez não me vou deixar cair nos vícios
passados. Vou sentir a possante e esmagadora falta que fazes na minha vida e
continuar. Não vou ficar nem triste nem contente. Vou sentir tudo o que há para
sentir e continuar em frente. Foi isso que me ensinaste. Não nego que tem sido
difícil, mais do que o costume, mas eu continuo a tentar. Continuo a tentar
sempre que o calor me lembra a tua falta ou quando olho para o céu estrelado e
me lembro da tua partida. Mas o tempo passa. E as horas passam a dias e os dias
a anos. Eu recordo-te, muito embora. Recordo-te como eras e nunca o deixarei de
fazer. Falo menos de ti – muito menos – mas das poucas vezes que falo é com um
sorriso nos lábios. Sei que nunca deixarás de olhar por mim como eu continuo a
olhar para ti.
A
perda ainda se senta ao meu lado. E pesa na tua herança. As semelhanças são tantas
que agora que as noto nem consigo funcionar. E cada vez que vincas a tua
personalidade eu fecho-lhe os olhos. Quero recordar-te como eras e não em
outras pessoas ou através de outras pessoas. Tu não sabes mas são tantas as
coisas que deixaste para trás que eu só queria que ainda cá estivesses para as
levar contigo.
Mas
está tudo bem, avô. Não te preocupes. Continuo à espera de ouvir a tua voz a
ecoar pela sala de estar para pedir ou perguntar algo mas está tudo bem. Continua tudo na mesma. E podia ser pior,
muito pior. Não te esqueças de mim. Espero que continues bem.
A
perda ainda se senta ao meu lado. Como tu – sempre.