Dizes-me,
sem rodeios, “Estás sozinho.” e eu não tenho como te provar o contrário. Não tenho nada para mostrar a não ser um
longo leque de sorrisos falsos e uma mão cheia de memórias que tento manter.
Triste, penso para mim, sou um triste. Não tenho nada para te provar o quão
sozinho estou a não ser a tua ausência. E mais uma vez, pela força do hábito,
sorrio. Ilógico. Recuo sobre mim mesmo e recordo os passos que dei em falso.
Todos eles me trouxeram aqui. A esta retrospectiva fúnebre e viciada. E eu já
senti “isto” vezes a mais e já vi este filme vezes sem conta.
Estou
sozinho, tenho de acabar por aceitar. Finjo uma felicidade que não existe e
repito tudo na esperança que se torne real. Mas algo está errado, não é? E tu,
sem rodeios, respondes que sim. Dizes-me que tudo em que toco acaba por morrer
aos poucos e eu acredito. Eu acredito sempre em ti. Tudo em que toco acaba por
morrer aos poucos. Desculpa se te fiz mal e fico feliz por teres conseguido
sobreviver-me. Tens razão, estou sozinho mas eu aguento. (ainda não sei como mas) Eu aguento.