terça-feira, 27 de maio de 2014

noregrets



                Preferia começar este texto com algo do tipo “a última vez que fizemos amor…” mas isso seria uma mentira por isso, em alternativa, começarei da seguinte forma:
                A última vez que partilhamos a mesma cama ficamos parados depois de toda a frenética agitação. Lembro-me de me sentir dentro de ti e acreditar que aquele era o melhor sítio do mundo. Como se me tivesses lido os pensamentos, disseste-me – Quem me dera ficar aqui para sempre, assim.
                Estranhei, não o nego. Nunca foste de expor sentimentos ou de dizer em voz alta lamechices. Aliás, sexo era algo sagrado. Não era fazer amor. Era selvagem e cru. Ambos concordávamos nesse aspecto e era isso que nos unia ainda mais. Os momentos de carinho vinham sempre depois. Quando eu me deixava ficar dentro de ti e abraçados contávamos as pulsações aceleradas de cada um. E agora que penso nisso, são esses pequenos momentos que me trazem um sorriso amargo nos lábios.
                O depois de jogarmos todos os lençóis da cama para o chão. As gargalhadas das pequenas lesões com que ficávamos. As nódoas negras que eu te fazia. As marcas das tuas unhas. As dentadas no meu pescoço. O teu cabelo despenteado.
                Quem diria só teria saudades das saudades com que me deixavas?