Ninguém imagina o quanto eu tento escrever. As minhas palavram tornaram-se tão escassas, quase que em extinção. Não sei mais como usá-las para dizer o que penso e acho que tudo se deve ao facto de já não sentir. Lembro-me de antes dizer que não sentia, que era frio e muitos mais adjetivos tais mas nunca fui assim – nunca assim tão frio. Obrigo-me a escrever para sentir, para ser um misero contorno das palavras que escrevi há muito tempo atrás. Não consigo perceber onde fiquei. Nada me entusiasma, nada.
Na rua, quando os meus passos se destinam a um local qualquer, as pessoas passam por mim na rua e cumprimentam-me sem perceber que quando retribuo é por educação e apenas isso. Mas ironicamente são essas as pessoas que melhor me conhecem. Embora não convivam comigo, sendo apenas aquilo que se pode chamar de conhecidos, observam-me como alguém arrogante, gélido e a roçar pelo mal-educado. Acaba por ser estranho. As pessoas que convivem comigo no dia-a-dia e que ouvem tudo o que me sai da boca diariamente acabam por acreditar que eu não sou assim. Defendem-me e dizem que posso não ligar muito ao que me rodeia mas que tenho coração, que sou cruel com as pessoas mas que no fundo estou a brincar e preferem rir das minhas piadas sarcásticas ou nos meus sorrisos plásticos. Oh, como elas se enganam – não sei onde está o meu coração, quando sou cruel é porque não me importo com o que as pessoas sentem e as minhas piadas não são piadas mas sim o que penso verdadeiramente.
O único problema em ser assim é que a pessoa que sou esta semana não sabe nada. Aprendeu que as palavras são vento e perdeu todas as que disse ou ouviu. Não as consegue passar para o papel e tenta acreditar que não as precisa. Mas essa não é verdade…
2 comentários:
pelos vistos não sou a única a ter "problemas" com as palavras .. pode ser só uma fase. e como todas as fases, vai passar :) *
tens de te reencontrar!
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