Os
meses foram passando cruéis e ásperos sem aviso prévio ou convite. As palavras
tornaram-se escassas e despropositadas, cativas numa qualquer jaula que fechei
sem saber o que fazia. A mão que abri de ti numa tentativa vã de sanidade
fechou, finalmente, sem ter agarrado nada. Tornei-me mais frio do que o costume
desejando secretamente não o ser mas sem fazer qualquer tentativa para o
impedir. Sentei-me no colo quente de fantasmas sem os conseguir encarar.
Cambaleei sem medos pelo relógio escutando com atenção o eco do pequeno
tique-taque. E, durante todo este tempo, eu só desejei tatuar a tua memória de
mim.
M.S.
2 comentários:
Muito bom afilhado, as palavras muito bem ditas, cheias de sentimento. Abraço
Obrigada. Gostei do teu. Beijinho
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