quarta-feira, 15 de agosto de 2012

tempo.

Os meses foram passando cruéis e ásperos sem aviso prévio ou convite. As palavras tornaram-se escassas e despropositadas, cativas numa qualquer jaula que fechei sem saber o que fazia. A mão que abri de ti numa tentativa vã de sanidade fechou, finalmente, sem ter agarrado nada. Tornei-me mais frio do que o costume desejando secretamente não o ser mas sem fazer qualquer tentativa para o impedir. Sentei-me no colo quente de fantasmas sem os conseguir encarar. Cambaleei sem medos pelo relógio escutando com atenção o eco do pequeno tique-taque. E, durante todo este tempo, eu só desejei tatuar a tua memória de mim. 
 M.S.



2 comentários:

Pedacinhos de mim disse...

Muito bom afilhado, as palavras muito bem ditas, cheias de sentimento. Abraço

Sílvia Oliveira disse...

Obrigada. Gostei do teu. Beijinho