algo teu
Sentado ao teu lado, enrolado no cobertor cinzento que tanta vez nos aqueceu do frio que cresceu entre nós, estava o meu coração. Ronronava junto a ti, no sofá gasto por arrependimentos e consequências, esperando por algo que nem ele sabia. O sol tinha-se posto e o vento suspirava tentando reavivar as labaredas do nosso amor. De voz tanto ou pouco rouca disse-me que os seus lábios não segredavam mais palavras bonitas e carregadas de sonhos. Pediu-me entre murmúrios ocos para escutar no fundo de si aquele silêncio que ecoava o teu nome e acabei por fechar a caixa de música quebrada que me ofereceste, percebendo que a sua melodia não invocava o que perdemos. Quando me sentei ao seu lado, senti-o entre nós, batendo cada vez menos. Metade de metade, não perguntei mais nada porque entendi o que vinha depois – ia perder algo meu sem nunca ter recebido algo teu em troca. E quando ele deixou de bater, morrendo-me no peito porque afinal não existia sofá algum, olhei para ti de lágrima nos olhos e sorriso no canto da boca e disse: Eu estou bem. Eu estou bem.M.S.
2 comentários:
Que grande texto afilhado, só te digo que é dos melhores que já li teus, mesmo muito bom. Abraço :)
Está tão doce :)
"E quando ele deixou de bater, morrendo-me no peito porque afinal não existia sofá algum, olhei para ti de lágrima nos olhos e sorriso no canto da boca e disse: Eu estou bem. Eu estou bem." priceless!
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