sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

strange ignorant

Olhas para mim. E eu devolvo-te o olhar só para te ver desviá-lo – um olhar cru e seco como se tivesses visto um lugar vazio. Por instantes, quieto pela incredibilidade, o meu mundo pára. Pára mas apenas por segundos. Logo tudo volta ao seu ritmo alucinante a que me habituei: as gargalhadas que se misturam com a música surda dos movimentos, o suor do fumo que ocupa florestas de luz, os locais cheios do fogo da alegria. Tudo continua como se nada tivesse sido, muito embora não consiga ignorar a pequena pontada no meu peito. O ar chega-me curto e não consigo respirar como antes. Tudo arde dentro de mim mas não ouço mais o teu nome. A única razão de te reconhecer na rua é porque um dia exististe de muita forma em mim. Devo-te muito, aceito isso, mas isso não faz de ti um ser superior. Até entendo que não encontres a coragem necessária para me encarar e que logo fujas de tudo o que te é difícil. As minhas respostas nunca iam ser as que querias ouvir e compreendo que não queiras sentir novamente o gume das minhas palavras. Persistes, no entanto, num ego tal de quem não se lembra quem o ensinou a agir desta forma. As tuas acções nunca me farão mazelas e, muito embora penses o contrário, és-me completamente insignificante. As ruas até podem ter-se tornado mais pesadas agora que nelas caminhas mas não sou eu o chão que pisas.

3 comentários:

Suu disse...

Eu devia ter avisado os meus seguidores que me ia mudar, mas depois quando quis voltar atrás para o fazer, o antigo url já não funcionava. Mas sê muito bem-vindo de novo :)

Pedacinhos de mim disse...

Este texto está grande afilhado, muito bom :)

Vanessa disse...

forte.