pesadelos+mil IX
Foi de um local tanto ou pouco importante que tu surgiste. Usavas roupas que me eram familiares e o teu sorriso ainda parecia ser uma constante na minha vida. Disparadas como balas surgiram palavras que me magoaram, mesmo sem terem o teu comando. Tu riste-te – uma gargalhada sonora e com gosto que me deixou boquiaberto – e, como seria de prever, menosprezaste as palavras e tornaste-as alvo de chacota. A sensação que me deu foi a de desconforto. Não sabia como reagir perante um silêncio que imaginava vir a acontecer, não sabia como suportar a presença fantasmagórica em que te havias tornado. Então, sem qualquer explicação, e como seria de esperar, afastei-me. Este meu muro, o que se ergueu em meu redor, surgiu para me proteger de ti. Já me envolve há bastante tempo, sem me permitir sequer olhar para os teus olhos e ergueu-se quando destruíste os meus sonhos mostrando-me que um simples gesto tinha o poder de ruir o mundo. O problema foi que, ao erguê-lo, mais ninguém conseguiu atingir-me. Olham para mim mas nunca me conseguem tocar realmente. Foi nisto que me tornaste, algo inatingível e frio. E a cada dia que passa eu enfrento a memória crua, rasgando ferozmente os teus vestígios, assim como a ideia de que, ironicamente, tenhas sido a melhor pessoa que conheci. Estás feliz agora?
Um comentário:
que bonito :o
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