Sem saber para onde correr, enquanto ouvia aquela triste melodia, parei. Olhei para o rio e o vento tocou-me na pele. Senti a cara molhada e fria, endurecendo como pedra enquanto o sol se punha no horizonte quente e alaranjado. Doendo, os meus pés dormentes desistiram e deixei-me ir para um sítio que desconhecia. Tudo seria melhor que isto. Tudo me faria sentir melhor que isto. Fraquejei quando tentei aclarar a garganta e tossi descontroladamente irrompendo em lágrimas. Nas minhas mãos, o mundo que eu tinha criado, ruía mergulhado nas lágrimas que eu tentava controlar. Então tocas-me no ombro e arrefeces-me. Não te consigo olhar, não assim. Abraças-me porque sabes o quanto me dói ver a preocupação estampada na tua cara e não dizes uma palavra. Subitamente tudo parece ligeiramente melhor, agora que ali estás. O teu toque dura infinidades enquanto a triste melodia que ouvia se altera para uma agridoce. O sol põe-se finalmente, o vento pára de soprar e tu desapareces porque, na verdade, nunca ali estiveste. Eu sinto então as saudades que tenho tuas e o quanto me dói lembrar-me de ti. O cais parece parado embora a multidão ainda continue passando e olhando para mim com um ar céptico. Inexpressivo, noto que por muita que seja a minha dor, a que tu me infringes consegue curá-la. Porque, por alguma razão e por algum momento, o teu toque foi verdadeiro e ele deixou marcas de felicidade que embora doam nunca se deixarão substituir por qualquer outra dor. Limpando a cara quase seca, comecei a marcha lenta que me iria fazer regressar a casa. As estrelas já brilhavam, fortes e radiantes, querendo todas elas ter a luz que os teus olhos tinham quando olhavam para mim…
M.S.
2 comentários:
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está.perfeito.
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