segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

um passo de cada vez.

Eu não tenho os maiores problemas do mundo. Tenho um lar, uma casa, uma família que gosta de mim a maior parte das vezes, um grupo pequeno mas enorme de amigos, raparigas que me cobiçam e até pessoas que gostariam de ser como eu. Tenho comida, roupa, objectos pessoais de grande valor económico e sentimental, mãos cheias de boas memórias e pouco mais de uma ou duas más recordações. Mas hoje, todas as migalhas que por vezes, sem que eu queira, me magoam, juntaram-se. Não são os maiores problemas do mundo, não; mas são os maiores problemas do meu mundo. Tudo o que me falta é o que sou. E, como pode assim ser se ainda estou aqui, escrevinhando e contornando as lágrimas que sujam esta folha?
Os meses que se avizinham parecem-me dolorosamente longos e assustadores. Não posso deitar a cabeça no teu colo, chorar e esperar que me digas que tudo vai correr bem, como quando eu tinha cinco anos? Não posso pedir que ignores as minhas lágrimas e, em vez de chorares comigo por me veres sofrer, sorrias com a simplicidade da minha dor ao mostrares-me a sua banal cura? Mas, sim, eu já a conheço. Já ouvi as palavras de força e coragem e decorei-as na exaustão. Espero apagar a imagem que tenho neste momento – criança indefesa, a choramingar por ninharias que tanto lhe parecem importantes, no seu canto, sem conseguir respirar, assustado com a possibilidade de perder o controlo – e ocultá-la amanhã mostrando toda a felicidade que há em mim por ter aguentado mais uma noite. Já me habituei à ideia de que a saudade veio para ficar e esta noite vou adormecer com o seu vestígio salgado na minha face. Mais uma vez.
Até amanhã (, ou assim espero).

Um comentário:

Jane Doe disse...

Mais uma vez, um grande texto. Apesar de não gostar muito dele ;c é um bocadinho feio :s ahah és grande :) <3