senti, sem ti.
Não sei o que sinto. Frio, isso é certo, mas é por ele que tremo? Estou inquieto mas em mim pouco se move. Temo. Por mim e não só. A solidão bate-me à porta e joga palavras que passam pela fechadura, encolhidas, fazendo-se passar por pequeninas mas que tão monstruosas são. E agora? Já as ouvi, já as senti. Mas, afinal, que senti eu? No ar corre o cheiro, aquele cheiro estranho que nunca aprendi a identificar mas que está sempre presente quando sinto “isto” – se é que sinto alguma coisa. Lá fora os carros atravessam a rua e gritam-me ao ouvido palavras que não consigo compreender por mais que queira. E aqui, onde estou, sou como uma pedra, sem coração. É tudo, tudo tão estranho (sem ti.)