São 17:18. Ouço a música a tocar, embalando-me pelas teclas do portátil, enchendo-me de sentimentos que não gosto de sentir, soltando palavras que não gosto de escrever e que libertam memórias que me fazem doer o estômago e o espírito. O sol entra pelas frechas da persiana e bate-me na cara, o vento entra pela janela e leva a mim o cheiro a coco que inunda o oxigénio do quarto. Recordo tardes em que tudo estava exactamente igual embora em locais diferentes. Em que tudo o que era partilhado era sentido e aquecido pelo sol de tardes como esta. Tudo no ar me é familiar. A luz, os sons, o cheiro, as cores, … e até os móveis. Os móveis que estão nestas quatro paredes estão dispostos da mesma forma que os móveis do teu quarto e só agora me dei conta disso. Sorrio ironicamente, lançando pragas ao destino, tentando ignorar o desconforto deste pequeno detalhe. São 17:29 e apesar de estar aqui há três semanas, três longas semanas em que nem assaltaste o meu pensamento, foram precisos apenas onze minutos para me relembrares que ainda consegues abrir o meu peito e levar contigo o meu coração.
M.S.
2 comentários:
duas coisas a dizer: então sei como é o teu quarto de Faro (pelo menos a disposição da mobília) e fui eu quem te influenciei a queimar incenso de côco no quarto :c confessa!
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