domingo, 3 de outubro de 2010

Regressar.

A chuva regressou, maltratando mais uma vez as pedras do meu quintal como se nunca tivesse deixado de o fazer; o vento fantasmagórico que percorria as folhas das árvores ia construindo uma melodia tenebrosa que evoluía, entrando pelos corredores de casa e chegando mesmo, numa ligeira brisa fria, ao meu quarto. Meio adormecido em sonhos que só a minha cama me traz, eu senti a aragem na cara tentado despertar-me para o que parecia ser o último dia de liberdade. Não queria abrir os olhos. Queria deixar-me enrolado no lençol, no conforto da minha cama, do meu quarto e da minha casa. Não queria regressar ao cheiro que ainda não conheço, ao sentimento de abandono que aquelas paredes me trazem, à vida que ainda não me habituei. Eu não queria nada a não ser ficar ali. Mas, contra as minhas vontades, eu suspirei bem fundo, abri os olhos e levantei-me. Senti o frio percorrer a sola dos pés até chegar-me ao coração que em poucos dias tinha reconhecido o calor comum do seu passado e um arrepio, que nada tinha a ver com esse frio, fez-se notar. Olhei em redor e ganhei coragem para dirigir-me a mais um dia em que iria para muito longe, tão longe que, mais uma vez, teria que arrumar a minha vida toda para levar comigo. Lá fora, a chuva tinha acalmado e tinha levado consigo o vento forte que me empurrava para um lugar desconhecido. Lentamente, dei um passo, seguido de outro e de mais outro. Ainda não quero ir; ainda quero estar onde pertenço. Mas isso já não é possível…

2 comentários:

Jane Doe disse...

A foto tirada por mim, dá logo outra classe né? 8) apesar de saberes que não gosto (nada!) deste texto :c Silves pode não ser a mesma coisa sem ti, mas dias como os de sexta tornam-na no melhor sitio para se estar de sempre! e Faro.. é biek. Mas sabes pq? porque eu não tou aí, óbvio -.-' ahah! és o maior, no matter what <3 adoro.te

RuiQ disse...

Ah pois. Que regressem os dias de verão em AP.