Fria Indiferença
Vejo os teus olhos cavando os meus. Sinto-os abraçando os meus passos e suplicando por uma qualquer forma de reconhecimento. Mas eu não olho para ti. Aliás, não te veria mesmo que olhasse. Continuo os meus passos, de cabeça erguida, e quando passo por ti noto no acto involuntário, e quase instantaneamente anulado, de quem me ia cumprimentar. Contenho uma gargalhada e substituo-a por um sorriso de desdém, mas nem assim olho para ti. Eu disse-te que este dia havia de chegar. Eu avisei-te. E agora que sentes o puro gelo de uma vontade vã de olhar para ti, isso a que tu chamas de pessoa, respiras de forma assustada porque te sentes perdida. E se eu quisesse efectivamente acarretar com a tua existência, eu dir-te-ia que te encontras dispersa há algum tempo. Estás tão perdida que ninguém te quer encontrar. Ninguém quer compilar os inúmeros cacos em que te formaste. Sobretudo eu. O teu próprio trilho foge de ti, agradecido por todos os atalhos que tens tomado como forma de realce à tua estultice. Pode ser que um dia consigas parar de chorar e tentes falar comigo. E pode ser que um dia eu ouça as tuas palavras vazias e responda a todas elas da mesma forma: Não quero saber.
15.06.10
2 comentários:
não andes para ai a cortar a rute. Isso é porco :c
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