Fui-te descobrir em todos os sítios em que nunca quis que estivesses. Atrás de todas as montanhas que ergui para te isolar de mim, longe das circunstâncias que nos criaram, longe de um mundo que com dificuldade criei para sobreviver a uma ausência maior do que a minha essência. Depois disso, de te descobrir em sítios que pensei impossíveis, fiquei parado no tempo. Uma dor subtil acumulou-se nos meus olhos, tornando-os pesados e irreconhecíveis. Eram agora os teus olhos que viam por mim. Conheciam este novo mundo onde nunca hás-de entrar. Percorriam as pedras das novas ruas que aprisionaram a tua presença para que eu ganhasse a coragem de caminhar sobre ti. Olhavam as mil e uma maneiras que existiam para que eu te pudesse abandonar da mesma forma que tu o fizeste. Choraste. Perguntaste-me se ainda existíamos, se ainda havia um “nós”, e eu não encontrei a resposta para essa tão pertinente questão. Aliás, não a encontro há muito tempo. Ela está no mesmo mundo em que ficaste. No mesmo mundo que te deu a resposta a tantas outras perguntas, incluindo as que me fizeste. Vendo a minha resposta espalhada pelos contornos de uma cara que já conheceste, partiste do meu novo lar. Esperaste que te chamasse mas eu não fui capaz disso. Não tive força para mais nada. Depois de todo o tempo que gastei em construir uma armadura suficientemente forte para te expulsar da minha vida, eu esgotei as minhas forças e não consegui encontrar um novo coração que me permitisse viver. Talvez um dia eu descubra um resto de força dentro de mim e ganhe coragem para te dizer que continuas a ser o que sempre foste, apesar de tudo. E talvez, nesse dia, eu descubra o meu coração.
M.S.
3 comentários:
Venham mais faixas :D
Não tenho palavras. :)
Já não vinha aqui à muito tempo.., adorei os ultimos textos que escreveste, e principalmente este *.* continua!
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