glow
Agora, que tudo regressou, dentro do possível, ao normal, não te consigo ver. Tento recordar a tua expressão ou ouvir as minhas palavras mas só vejo segundos de imagens desfocadas e ouço sons de meias palavras que nem tentam formar frases para que eu entenda. Não sei ao certo o que te disse, nem como o disse, mas talvez seja melhor assim. Ouvir a minha voz glacial destruir a felicidade que a tua cara sempre aparenta ter, ia torturar-me para o resto da minha vida. Nada sofre mais que eu quando alcanço o teu sofrimento. Mesmo que mereças, ainda não suporto a ideia de te ver chorar. E agora, que tudo regressou, dentro do possível, ao normal, não te quero ver. Toda a força que espelha o teu rosto no meu, traduz-se numa fraqueza que nem me permite levantar a cabeça para enfrentar esses olhos aos quais eu roubei o brilho da felicidade. Perdoa-me, pelo menos, por isto.
M.S.