domingo, 27 de junho de 2010

(...) Vou sentir ainda mais, se possível, a tua falta. … (e se ao menos tu soubesses isso.)

Fim.

sábado, 26 de junho de 2010

meu Verão

Consigo sentir a água salgada por baixo dos meus pés. A brisa marinha afaga-me o cabelo e consigo sentir (mais uma vez) o sol a queimar-me a pele. Não estás em lado algum e nem te sinto na areia que por vezes o mar revolto traz no rebentar das suas ondas. E então? Os dias têm sido longos e, tal como eles, também o meu sorriso aumentou. Apesar de não te descobrir, de não te procurar, de tu surgires e de eu não querer ver, os dias têm sido agradáveis. Mergulho, sem pensar no primeiro choque térmico, e dou por mim a nadar no meu elemento. O ar começa a escassear mas eu não preciso dele. Ali, na ponta do enorme oceano, sinto-me em casa. Sem pensamentos, sem memórias, sem dor. Mas logo a necessidade de vir ao de cima é mais forte, e eu busco o tão precioso oxigénio e começo a caminhar com dificuldade pela areia. Num instante deito-me na toalha, para que o sol seque a água e deixe os vestígios de sal no meu corpo construírem um mapa que há-de dar a lado algum, e deixo-me ficar. As pessoas que me rodeiam fazem-me rir. Tu não estás aqui, não. Mas e então? Neste momento não me fazes falta. Toda a gloriosa presença do Verão costumava trazer-te em pedaços até atingir um todo de memórias dolorosas, mas hoje não. Hoje está a ser um bom dia. Um bom dia, sem ti. Quem diria…


M.S.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

desenho(s)

No outro dia descobri dois desenhos teus. Dois pedaços de papel amarrotados e insignificantes. Estavam por baixo de um molhe de papéis que me diziam nada e já nem me lembrava que os tinhas feito. Confesso que nunca gostei do que desenhaste. Dizia que estavam bons, só para te fazer a vontade, mas conseguia ver cada imperfeição nos riscos que fazias sem deixar a mão tremer. Desenhavas de uma forma muito peculiar, muito tua, e apesar de eu dizer que desenhavas bem e não ser inteiramente verdade, via a tua alma nesses teus desenhos. Aliás, via a tua alma em tudo o que fazias ou tocavas. E era por isso que eu encontrava sempre a minha alma quando estava contigo. O teu toque, que comandava a vontade do tempo, enchia-me de força mesmo sem encostares um dedo em mim. Cada linha, cada borrão, era um pouco de ti e mais uma vez encontrei um pouco de ti espalhado pelo meu quarto. Mas fingi que não o vi. Voltei a arrumar a desordem de papel e voltei a colocar os desenhos por baixo do molhe em que se encontravam antes de serem descobertos. Esperando, como eu, pelo teu toque. Para que me faças descobrir a minha alma novamente.

M.S.;23 de Junho de 2010

quinta-feira, 24 de junho de 2010

@V

Os anos passam por nós, devagar ou acelerados, mas nem eles conseguem mudar-nos. Basta chegares, entrares, atravessares a casa como se fosse tua, cumprimentares a minha mãe como se fosse tua, abrires a porta do meu quarto como se fosse teu, dizeres, da mesma forma que se fala com um irmão mais novo, ‘Manel, praia.’ e eu olho para ti e sorrio. Espreguiço-me, escondo a cara com o lençol e tu ris, deliciada com a minha cara de sono. Mostras-me o meu próprio telefone e consigo ver 8 chamadas não atendidas e a tua cara que apresenta uma raiva fictícia. Levanto-me e abraço-te. Despacho-me em cinco segundos e vou para onde me levares. Sem perguntas. É verdade, os anos bem que passam por nós mas tudo está como se ainda ontem te tivesse conhecido o sorriso que me alegra em qualquer situação, por mais dramática que seja. O tempo passa, tudo está na mesma, e assim sou feliz.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

pior

No meio de uma conversa qualquer, alguém disse que devia ser difícil perder alguém importante. “Perder” tendo o mesmo significado que a morte, neste caso. E eu pensei: Qual é a diferença? Perder alguém demasiado importante é o mesmo que a deixar morrer. É sofrer, de igual forma; é chorar, na mesma intensidade; é negar, com a mesma fúria. É uma destruição. Uma avalanche sufocante de quem parte e também de quem fica. Mentimos e dizemos que estamos bem, quando na verdade também apodrecemos por dentro. Mentimos porque a verdade é que a pessoa em questão partiu, não ficou e nunca chegará a voltar. Este “perder” é uma forma de suavizar a palavra “abandono” pois quer se perca alguém, ou esse alguém morra, damos por nós sozinhos de qualquer forma. No entanto, eu respondi, na sequência da conversa: “Há coisas piores que a morte…” e só então me dei conta de que me referia a mim, ao meu caso. Ao facto de te ter deixado morrer ou permitir que me abandonasses. Perdi-te e isso foi, embora que a mesma coisa, muito pior do que se tivesses morrido de verdade.


M.S.; 22 de Junho de 2010

terça-feira, 22 de junho de 2010

Fria Indiferença

Vejo os teus olhos cavando os meus. Sinto-os abraçando os meus passos e suplicando por uma qualquer forma de reconhecimento. Mas eu não olho para ti. Aliás, não te veria mesmo que olhasse. Continuo os meus passos, de cabeça erguida, e quando passo por ti noto no acto involuntário, e quase instantaneamente anulado, de quem me ia cumprimentar. Contenho uma gargalhada e substituo-a por um sorriso de desdém, mas nem assim olho para ti. Eu disse-te que este dia havia de chegar. Eu avisei-te. E agora que sentes o puro gelo de uma vontade vã de olhar para ti, isso a que tu chamas de pessoa, respiras de forma assustada porque te sentes perdida. E se eu quisesse efectivamente acarretar com a tua existência, eu dir-te-ia que te encontras dispersa há algum tempo. Estás tão perdida que ninguém te quer encontrar. Ninguém quer compilar os inúmeros cacos em que te formaste. Sobretudo eu. O teu próprio trilho foge de ti, agradecido por todos os atalhos que tens tomado como forma de realce à tua estultice. Pode ser que um dia consigas parar de chorar e tentes falar comigo. E pode ser que um dia eu ouça as tuas palavras vazias e responda a todas elas da mesma forma: Não quero saber.


15.06.10

segunda-feira, 21 de junho de 2010

sem força


(...) Não me recordo da última vez que estive assim. Sem forças. Sem forças para fingir uma pequena porção de felicidade ou até mesmo para me preocupar com os outros. Ouço os murmúrios de preocupação de todos os que me rodeiam e tento que se calem mas a mensagem não lhes é entregue. Falam comigo e eu nem um sorriso lhes consigo retribuir. (...) Só quero que esta nuvem carregada que paira sobre mim se afaste e que o sol me traga de novo a força que preciso para ser o que esperam de mim. Ou por outras palavras, mais do que aquilo que realmente sou…

sábado, 19 de junho de 2010

Summer romance

Os teus lábios. Os teus beijos carregados de urgência. O teu corpo. A maneira em que entrelaçavas as pernas à minha cintura enquanto nos beijávamos, totalmente rendidos, entendidos num chão qualquer. O teu vício de me morder os lábios e quase me magoares. Os dias de praia em que as nossas mãos encaixavam uma na outra na perfeição. A tua atitude quando olhavam para ti e o quanto ficavas irritada até que eu dissesse “Deixa que eles olhem, não faz mal. És minha.”. As inúmeras vezes em que me puxavas para ti e roubavas um beijo. O teu pequeno dom de me dar espaço sem que eu tivesse pedido. A tua forma única de me compreender e dar-me o que precisava. Foi tudo isto que me despertou hoje e me vez respirar o ar que antes circulava entre nós. Foi tudo isto que, contra todas as hipóteses, me fez sorrir. Devo este sorriso inteiramente a ti e quem sabe um dia to entregue de vez. Apesar de eu não o demonstrar, incapacitado por este carácter gelado, ainda sinto o meu coração bater mais forte quando te encontro. Ele ainda te sente.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

MDC



Parabêns, adoro-te. <3
(E obrigado, são poucas as pessoas que me conseguem fazer rir desta forma.)

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Até vocês já notaram. Compraram medicamentos para que eu tomasse três vezes por dia, após cada refeição e perguntam-me diariamente como me sinto. E que posso eu responder? Que sinto um peso enorme no corpo, um sono que não termina e uma batalha constante no meu colo? Não consigo adormecer por mais sono que tenha, por mais cansado que me encontre. Criei olheiras que envolvem os meus olhos vazios. Vou exterminando as míseras unhas que os meus dedos ainda têm e já cheguei ao ponto de as ver sangrar. Não vos posso mostrar isto. Não vos posso dizer que não consigo sentir sem ser desta forma. Tudo o que penso está fechado neste meu cofre interdito a quase todas as pessoas do meu mundo. Mas, desta vez, vocês notaram e eu não quis mais fingir. Encerrei os meus pensamentos em mim e fechei-me no meu quarto. Querem saber o que eu sinto? Sinto tanto o tanto como o nada. Obrigado pela tentativa. Obrigado de verdade. Não há muito mais que possam fazer e peço, antecipadamente, desculpa por tudo. Não consigo melhor que isto.

domingo, 13 de junho de 2010

faixa 15

Fui-te descobrir em todos os sítios em que nunca quis que estivesses. Atrás de todas as montanhas que ergui para te isolar de mim, longe das circunstâncias que nos criaram, longe de um mundo que com dificuldade criei para sobreviver a uma ausência maior do que a minha essência. Depois disso, de te descobrir em sítios que pensei impossíveis, fiquei parado no tempo. Uma dor subtil acumulou-se nos meus olhos, tornando-os pesados e irreconhecíveis. Eram agora os teus olhos que viam por mim. Conheciam este novo mundo onde nunca hás-de entrar. Percorriam as pedras das novas ruas que aprisionaram a tua presença para que eu ganhasse a coragem de caminhar sobre ti. Olhavam as mil e uma maneiras que existiam para que eu te pudesse abandonar da mesma forma que tu o fizeste. Choraste. Perguntaste-me se ainda existíamos, se ainda havia um “nós”, e eu não encontrei a resposta para essa tão pertinente questão. Aliás, não a encontro há muito tempo. Ela está no mesmo mundo em que ficaste. No mesmo mundo que te deu a resposta a tantas outras perguntas, incluindo as que me fizeste. Vendo a minha resposta espalhada pelos contornos de uma cara que já conheceste, partiste do meu novo lar. Esperaste que te chamasse mas eu não fui capaz disso. Não tive força para mais nada. Depois de todo o tempo que gastei em construir uma armadura suficientemente forte para te expulsar da minha vida, eu esgotei as minhas forças e não consegui encontrar um novo coração que me permitisse viver. Talvez um dia eu descubra um resto de força dentro de mim e ganhe coragem para te dizer que continuas a ser o que sempre foste, apesar de tudo. E talvez, nesse dia, eu descubra o meu coração.
M.S.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

glow

Agora, que tudo regressou, dentro do possível, ao normal, não te consigo ver. Tento recordar a tua expressão ou ouvir as minhas palavras mas só vejo segundos de imagens desfocadas e ouço sons de meias palavras que nem tentam formar frases para que eu entenda. Não sei ao certo o que te disse, nem como o disse, mas talvez seja melhor assim. Ouvir a minha voz glacial destruir a felicidade que a tua cara sempre aparenta ter, ia torturar-me para o resto da minha vida. Nada sofre mais que eu quando alcanço o teu sofrimento. Mesmo que mereças, ainda não suporto a ideia de te ver chorar. E agora, que tudo regressou, dentro do possível, ao normal, não te quero ver. Toda a força que espelha o teu rosto no meu, traduz-se numa fraqueza que nem me permite levantar a cabeça para enfrentar esses olhos aos quais eu roubei o brilho da felicidade. Perdoa-me, pelo menos, por isto.
M.S.

terça-feira, 8 de junho de 2010

You Lost Me

A tua presença não cessa. Apresentas-te nos negrumes do passado e revives os dias que escaparam nos teus dedos frágeis e dolorosos de ver. Já estivemos lado a lado. E embora a tua incontrolável vontade de ser alguém na minha vida seja uma constante que mói cada momento, essa já não é a realidade que ambos conhecemos. Surges como uma sombra que prefere destruir a criar, como uma miserável existência que canaliza as forças no acto de recordar o adeus que te digo diariamente. Sim, já estivemos lado a lado e já dissemos palavras que apenas nós ouvimos. Mas essas palavras não ficaram. Não sobreviveram. Como nós. E agora que a melodia tocada pelo compasso dos nossos corações se extinguiu, chegou a hora de fazer as malas. Pegar em toda a tralha e meter no pequeno espaço em que coube (com dificuldade) a nossa história. A partilha de tudo o resto é nossa para dar a quem o entendermos. Não resta mais nada. Nem mesmo nós. Não olhes mais para trás, nem lá eu irei estar.


M.S.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

living.


Foi de vez. Partiste em busca de um novo dia e levaste contigo todas as pequenas mentiras que me contaste vezes e vezes sem conta. Não me importo. Eu sempre soube que seria assim. Assimilei o quão vazio me deixaste e cheguei à conclusão que até a tua ausência eu iria perder em mim. Agora que isto aconteceu, já não sei o que é sentir e posso agradecer-te por todas essas insubordinadas mentiras, por todo vazio acumulado que se apodera da tua lembrança, por transformares a minha existência na coragem que me irá erguer novamente. Regressarei a mim, se é que algum dia eu conheci tal pessoa, e viverei. Graças a ti. Quem diria que seria preciso tu partires para eu reaprender a conjugar o verbo “viver”…

sexta-feira, 4 de junho de 2010

desperdícios de Maio

(...) E eu só gostava que tu soubesses o que os teus amigos dizem de ti, assim tu deixavas de te preocupar com o que dizem os que não o são. ...

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Insónias - Parte 2

Quando a alma aclama, nada a pára até o destino cruzar na sua vontade. E se é assim que termina, que o seja. Ninguém irá relembrar a crueldade com que as tuas palavras foram tiradas de mim, nem mesmo eu. É assim que termina e eu serei a concha vazia que abandonaste nesse teu corpo desprotegido. O sentido do que fui estará perdido, insuportavelmente enterrado na liberdade do que me ensinaste. Correrei os passos que me guiarão contra ti até que te arranque todo o sangue que me roubaste, romperei a barreira que a tua sombra impôs contra o sol, dir-te-ei que o meu silêncio é o que mais precioso existe em mim e não to mostrarei. Não terei qualquer arrependimento e é assim que tudo terminará. Ficarei preparado para o anoitecer que as insónias escreveram nas suas longas páginas e dormirei profundamente no que já não és. O raro sorriso que surgir na minha face será apenas meu e a inveja cruzará com fogo os teus lábios sedentos de lágrimas. Irei erguer a minha alma a tudo o que não conseguiste ser, e a sua vontade ficará completa. O meu destino ficará livre para reclamar outras vidas que não a tua, mas até lá…


M.S.