terça-feira, 18 de maio de 2010

summer

Ontem, durante as minhas insónias, lembrei-me de uma estranha noite que partilhei contigo. Era uma noite de Verão e o sal do mar velejava o ar que respirávamos. A brisa molhava os nossos pés e a areia (que ainda não tinha qualquer significado para mim) envolvia os nossos dedos. A lua estava escondida mas o negrume da noite não a impediu de se tornar perfeita. Estivemos todo o tempo do mundo naquela água calma até que, passado alguns minutos, tivemos que a abandonar. Tudo o que aconteceu após os nossos pés deixarem o áspero toque da areia, passou a voar. Voou tão rápido que quando dei por nós já estávamos a subir as escadas daquele prédio que não conhecíamos, mortos de cansaço, implorando para chegar ao último andar. O escasso espaço que nos ‘deram’ foi coberto por toalhas de praia que tínhamos trazido de casa. A minha toalha ficou no chão, para nos deitarmos, e a tua tapou-nos apesar de não acalmar o frio. Aproximei-me de ti e cheirei o teu cabelo pela milésima vez. Agarrei-te por trás e ficamos ali, resistindo ao frio, adormecendo nos braços um do outro. Pus o meu braço por baixo da tua cabeça para que não estivesses com ela no chão. Adormeceste num instante e quando, involuntariamente, te viraste para mim, fizeste-me sorrir. Estava frio, tanto frio que comecei a tremer. E lembro-me que não dormi nem um pouco, mas que importa isso? Todas as noites que foram passadas contigo foram das melhores noites da minha vida e ninguém o consegue tirar de mim. Lembraste dessa noite? Eu sei que sim. E também sei que se algum dia escrever um livro autobiográfico, tu saberás que mais de metade dos capítulos terão o teu nome e mesmo assim não serão suficientes para descrever o que significas em mim.

2 comentários:

RuiQ disse...

Estou arrepiado, e certamente não é da aula de informática :|

ps: imagino o grupo de Facebook «eu li o livro xxxxxx e adorei» :P

Dina RG Barão disse...

Que palavras bonitas.