sexta-feira, 30 de abril de 2010

lixo

Dei por mim a reler palavras que joguei para o lixo, amarrotadas pela fúria com que foram escritas e molhadas por todas as lágrimas que derramaram. Ignorei o facto de elas te pertencerem e vi pela primeira vez o quanto tu já foste para mim. Notei a força com que essas minhas palavras imploravam pelo teu regresso e a quantidade de sentimento que elas continham. Sabes o que fiz depois de as ler? Nada. Deixei-as ficar no mesmo sítio e enterrei-as ainda mais. Essas palavras já só existem num passado onde tudo o que era existia somente em ti. E tu já não existes.

M.S.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

bus

Enquanto estou a ouvir música e a olhar para a lua, o cansaço cai sobre mim. O dia foi tão longo que agora só quero que ele acabe. Foram tantas horas sentado neste banco que já não encontro uma posição confortável. A luz que me ilumina a cara é fraca e, lá fora, a fraca luz da lua ilumina os quilómetros que passam devagar por mim. As pessoas finalmente atingiram o silêncio e agora dormem ou estão, tal como eu, sentados nos seus pensamentos. Ou não. Eu não penso em nada. Ouço. Preencho o cérebro de música e espero que ela esvazie as memórias que agora me atingem como flexas. Reconheço a cabeça que acabou de se apoiar na minha coxa e instintivamente ponho a mão no seu braço, acariciando, sem lógica ou sentido. A música termina e volto a pôr a mesma faixa. Neste momento a música acalma-me e permite-me a ausência de pensamentos. Sinto a coxa molhada e logo entendo que a cabeça que reconheçi está a chorar. Mas eu não sinto. Tento procurar algo em mim mas é em vão. O cansaço, a música, este autocarro não mo permitem. Estou tão cansado. A música fica em mim e eu inconscientemente não me permito sentir. Fico assim até quando aquela cabeça me pede desculpa e eu respondo com um meio sorriso de quem diz 'Não faz mal.'. E não faz mesmo. Neste momento o mundo podia cair e eu ficaria ali. Perdido naquele autocarro que representa tantos outros que me atormentam profundamente. Só quero chegar a casa, só quero dormir. Quero apagar este cansaço. E os quilómetros passam tão devagar por mim. Quero sair daqui.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

desconcertante

Este desconforto é das poucas coisas reais que me deixaste. Esta angústia sombria que me afunda na tua presença impenetrável, constante como o gelo que deixaste no lugar do meu coração, é imperativa. Ultrapassas tudo. Vincas as tuas mãos em mim e deixas as tuas correntes queimarem a minha pele. És a palavra silênciosa, que tão desconcertante, deixou a sua marca e eu não consigo deixar de (te) ouvir.
M.S.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

FAKE!

Procuraste o meu calor e eu dei-to. Deixei-me ficar enquanto o teu corpo tocava no meu e te dava o que tanto pedes, em palavras mudas e sons que ninguém (nem mesmo eu) ouve. Fiquei ali, sem te sentir. Dei-te palavras quando apenas queria o silêncio, dei-te atenção quando queria estar sozinho, dei-te sorrisos quando queria tudo menos sorrir. Eu tentei. Dei-te tanto quanto consegui e não queria nada daquilo. Agora peço-te que me respeites. Deixa-me ficar quieto, sem ti, aqui, neste sítio que não vês. Não peças demasiado porque eu não to consigo dar.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Peço desculpa por ser egoísta a ponto de já não não querer saber o que estás a pensar ou sentir; se me estás a ver ou se já não precisas de mim. Sou egoísta a este ponto e isso só acontece porque no fundo estou a sentir o que és... E pouco importa se isso me faz doer. Ainda estás aqui, a bem ou a mal.
M.S.

domingo, 18 de abril de 2010

1ºsaraudoano






17.04.10, Messines

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Sol (Palavras Ao Vento)

Nasceste num dia que nasceu para me atormentar. Um dia de tempestade que roubou forças ao sol e me entregou o vento que só soube empurrar a minha alma para aquele teu deserto. Não pude fazer nada, não havia como te impedir de entrar na minha vida. Foste colhendo dias malditos para me sufocar e comprimiste todos os meus últimos suspiros para mais tarde os soltares numa planície qualquer, bem longe de nós. O tempo esqueceu-se de mim e tu esqueceste-te com ele. Eu fiquei preso nesse deserto de ausências que tu és e os dias malditos que colheste chegaram, terrívelmente monstruosos. O vento que me empurrou, reconheço agora como todos os últimos suspiros que soltaste numa planície qualquer e que me recordam que estou aqui. Perdido num dia qualquer que destruíste e que me marcou infinitamente. Perdido num mar que perdeu a sua água, sofrendo pela falta de vida e de calor. E, a ironia do destino, ainda ontem tentei recordar o calor do sol e só em ti eu pensei...
M.S.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Dexter: I just know there's something dark in me. I hide it. I certainly don't talk about it. But it's there. Always. This dark passenger. And when he's driving, I feel...alive. Half sick with the thrill, complete wrongness. I don't fight him. I don't want to. He's all I've got. Nothing else could love me, not even, especially not me. (...)
in Dexter

terça-feira, 13 de abril de 2010

sweet, sweet home

Se eu soubesse que um dia, ao chegar a casa, me iria doer as entranhas devido a toda a tralha que juntamos, nunca te teria deixado persuadir-me a colecionar-te até à exaustão. Foram muitas memórias criadas do zero, muitas fotografias espalhadas por uma parede que devia ter ficado em branco, muitos objectos que passaram de prendas a algo doloroso de olhar. Se eu soubesse que um dia, ao chegar a casa, iria morrer por cada vez que olhasse para algo, teria-te pedido para me cegares permanentemente. Teria-te pedido para me roubares de vez os sentidos e para me deixares viver, agora que te foste. Estás em tudo. Nos casacos velhos que habitam no meu guarda-fato, nos frascos de perfume que acumulam pó em cima da cómoda, e até na janela do meu quarto onde tatuaste episódios inesquecíveis. Que posso eu fazer de mim se já só restam vestígios de ti?
M.S.; 12 de Abril de 2010

domingo, 11 de abril de 2010

falha

Eu tenho muitas falhas. Sempre tive pequenas falhas que, de alguma forma, fingiam desaparecer quando te encontravas a meu lado. Ofuscavas qualquer imperfeição, escondias cada marca que tentava estragar a máscara que me protege. Eras tu que magicamente criavas essa ilusão. As falhas, infelizmente, não desapareciam. Eu consegui viver na tua sombra tempo suficiente para aprender a escondê-las sem precisar de ti, aliás, foste tu quem mo ensinou. No entanto, foste embora. Desapareceste e não, não foi um ilusão criada por ti. Deixaste as minhas falhas desprotegidas e indefesas. Quebraste-as ainda mais e escapaste por entre os cacos que fizeste. Partiste e partiste-me. Mas, como um dia foste a pessoa mais importante da minha vida, eu estarei aqui. Irei esquecer tudo. O quão excruciante foi e o quão danificado me deixaste. Deixarei que me procures, mesmo que desta vez salientes as minhas falhas. Eu sou assim: uma grande falha. E depois? Tu também o és e eu nunca to disse para que continuasses a ser feliz. Essa foi a minha verdadeira falha; tu.
M.S.; 7 de Abril de 2010

sábado, 10 de abril de 2010

Custo a respirar. Ouço o que me dizes e tento manter a minha cara livre de expressão. Não te mostro o quanto estou a sofrer e o quanto me custa prender as lágrimas dentro de mim. Ouço o que me dizes e tento manter a minha cara livre de expressão. Não quero que me vejas triste quando és a personificação da tristeza. As tuas palavras apunhalam-me o peito que tanto desespera por descanso, mas eu mantenho a mesma expressão de quem não vê. E não vejo. Tudo começa a ficar desfocado. Fecho os olhos com força, sem que vejas, mas é indiferente. Os meus olhos estão secos. Ainda ouço o que me dizes e tento manter a minha cara livre de expressão. Não respiro. Cada músculo do meu corpo concentra-se para me manter indiferente impedindo-me de respirar e, quando finalmente o consigo fazer, não é suficiente. Não cura a dor; a dor que tu me contas. Mas mesmo sem conseguir respirar ou ver, eu não sinto: habituei-me a esta sensação de dor que se tornou banal. Perguntas-me algo e a minha voz nem treme, responde como se nada fosse. É neste ponto que me pergunto se te estou a magoar, se a minha aparente indiferença te faz ficar pior, e tento mostrar compaixão. Nada. Fico calado e continuo a ouvir o que me dizes. Sim, estás mal e agora noto que sinto a tua dor, mas a minha cara continua livre de expressão. Não sei fazer melhor, é esta a minha definição de força e podes apostar que não me vais ver chorar quando preciso de limpar as tuas lágrimas primeiro. Desculpa.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Carrego no peito um cansaço que me empurra para o chão e, inevitavelmente, ouço com frequência o silêncio que se acumulou nas finas paredes que me protegem. Ele diz-me tanto. Fecha-me as pálpebras e consegue libertar a minha alma, deixando-a navegar pelas nuvens enquanto o barulho estridente teima em incomodar os meus ouvidos. Mas, o barulho é tudo o que ouço quando o silêncio me foge e eu não consigo reagir de outra forma. Fico apático. Deixo que o barulho me perfure os tímpanos e fico quieto no meu canto, esperando pelo regresso do silêncio. Nestes momentos, a culpa tenta entrar em mim. Não devias sentir alguma coisa? - diz ela. E eu não lhe respondo. Estou cansado em demasia para responder ou sentir seja o que for. Fico num canto qualquer, com o peso que se apoderou do meu coração, tentando esquecer que o doce silêncio fugiu de mim mais uma vez. Estou tão cansado...

quinta-feira, 8 de abril de 2010

ainda há dias perfeitos.

E quando tudo está errado e prestes a cair, tu apareces com o teu calor invejável, juntas as peças que estavam a oscilar na corda bamba que é o meu ser e tudo fica bem. Com um simples sorriso teu, o mesmo que vi durante toda a minha vida, curas as minhas feridas. Mas hoje, pela primeira vez, notei que és a única pessoa que consegue ter esta reacção em mim. Mesmo quando tocas bem fundo na ferida, não deixas que ela arda. Nunca irei encontrar alguém como tu e fico feliz por isso. És única e és minha.

terça-feira, 6 de abril de 2010

decisões

Foi decisão minha, sabes? Afastar-me de ti foi uma acção deliberada e eu sabia que esta decisão iria ter consequências severas na minha vida... Já te tinha dito que a culpa tinha sido minha, lembras-te? E foi mesmo. Eu afastei-me propositadamente, para não me magoar, para facilitar a tua mediocre felicidade. Quis que soubesses viver na tua ilusão, sem que eu estivesse a dizer-te constantemente que estava errada essa tua forma de viver. E assim, tu foste feliz. Eu? De certa forma também fiquei feliz por ti. E isso é o melhor que consigo dizer. Por ti fiquei feliz, mais nada. Cometemos erros e esses erros são meus para te esconder. Peço desculpa por isso e mais nada. O resto é teu. Toda a culpa que atiraste para as minhas costas, com palavras crueis que foram lançadas da forma mais dolorosa que alguma vez ouvi e senti, eu devolvo na esperança de que caias. Não consigo perdoar-te por me teres deixado desistir de ti, é assim tão difícil de entenderes?

M.S.; 5 de Abril de 2010

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Infinity

Queria conseguir olhar para ti sem sentir a tua falta; mergulhar na tua ausência e sentir a indiferença que tantas vezes se torna cruel em mim. Mas não é assim. A tua ausência é infinita, como tu, e pouco importa se hoje te odeio ou se és a única pessoa que quero ao meu lado... És uma imensidão infinita; de ausência e de existência. Tocas-me e atinges-me com palavras que ainda ontem escutei. Elas não são como tu, preocupadas comigo e com o que não mostro sentir. Elas ferem e gostam de me ver cair no teu vazio. Gostam de me mostrar que ficarás sempre aqui, de uma forma ou de outra. As tuas palavras não têm sentido, pois não?
M.S.; 28 de Março de 2010

domingo, 4 de abril de 2010

casadecampoII

Faz três meses que aqui estive a última vez. Três meses, tão curtos ou tão longos, dependendo da perspectiva, que em nada alteraram este local. As paredes ainda transpiram a tua presença. A tua essência existe em cada canto, cada um tão doloroso como o anterior. Evito tanto este sítio. Tanto. E, no entanto, ele vem sempre ter a mim, como tu. O ar puro secou com o deserto que me deste a conhecer e sim, ainda não consigo respirar aqui. Aqui ou em qualquer outro lugar.
M.S.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

fazes, muito mais que o sol (8)

'Qual é o bus p teu quarto?'
parabêns mmm@

quinta-feira, 1 de abril de 2010

iceteadelimão

Desde que te conheco que te associo a milhares de coisas. Até às mais insignificantes, como, por exemplo, Ice Tea de Limão. E, desde que te conheço, que nunca mais o bebi por isso mesmo. Mas hoje, por circunstâncias que não consigo controlar, não havia Ice Tea de Manga e o único que restava era o maravilhoso Ice Tea de Limão. Juro que já não me recordava do seu sabor, ou o teu sabor, e senti alguma curiosidade para relembrar o porquê de o odiar. Foi instântaneo. Uma espécie de 'flashback' que imediatamente me trouxe a bílis à garganta. Aparentemente nem consigo sentir aquele sabor que tu surges para me dar um murro no estômago e rir na minha cara. Enfim... Lição tomada. Já me lembro o porquê de odiar Ice Tea de Limão, e não vou esquecer tão cedo.