domingo, 4 de janeiro de 2009

fragmentos trancados.

Fragmentos. Pedacinhos quase invisíveis que se filtram na pele, tão diminutos que só os apercebemos quando são pisados e dói. Fazes parte dos fragmentos que quero ver trancados, fazes com que os meus pés derramem sangue e já não importe.

Costumo ficar sentado horas a fio, vendo o meu sangue escorrer, pensando que talvez valha a pena ou talvez tenhas piedade pelos teus actos e me perguntes “Estás bem?” enquanto te sentas ao meu lado e poisas a mão no meu ombro. Tenho tendência a sonhar com bastante frequência e intensidade, e não sei como parar ou se quero parar. Se ao menos deixasses os meus sonhos em paz, se ao menos desaparecesses de mim talvez eu conseguisse que a dor não tivesse esta magnitude.

Tornaste o verbo sonhar no mesmo que dor, e agora deixei de viver a sonhar para viver a dor. Sabes que tens a culpa, mas eu já não te culpo. Sou eu quem te sonha, sou eu quem me magoa mas liberta os meus sonhos, dá-me algo que me faça acreditar, não quero mais viver se tiver que sonhar.

Espero que ouças os fragmentos mais invisíveis que tiveres em ti, por favor, não sei quanto tempo mais irei aguentar a dor de acordar.


Um comentário:

Rita disse...

só para variar, este (também) é perfeito.