segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

surpresa.

Caminhava sem rumo, sem ligar ao que me rodeava, com os passos já mecanizados para chegarem ao seu destino. O som era anulado pelos meus pensamentos, perdidos num caminho já conhecido. Então quebrou o silêncio, um som agudo que atingiu a barreira mental que eu criara. Normalmente, ficaria feliz por ter ouvido o assobio, viraria as costas num instante para poder ver, mas agora… Com muito custo, olhei para trás, não reconheci. Faltou o brilho no olhar, o fio no pescoço, a pulseira a condizer com a minha, muita coisa. Falaste com a mesma conversa de sempre e o mesmo tom de sempre, disseste-me o que nunca tinha ouvido. Escutei, mas tinha deixado de ouvir no momento em que te observei pela 1ª vez. Esta nova pessoa, irreconhecível, quis mudar uma imagem construída na minha memória. Ainda tenta, cada vez que passa por mim, com a sua (in) diferença e eu ainda tento, cada vez que passa por mim não olhar. Mas a memória mecanizada faz-me olhar e sempre, e sempre eu desiludo-me um pouco mais. De qualquer forma, é sempre uma surpresa ver-te, apenas deixou de ser uma surpresa agradável.

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