Já soube voar. Já soube subir alto, respirar tudo o que o ar tinha para dar e saber que ali era o meu lugar. Já tive o Sol do meu lado, puxando-me para a luz. Já soube o nome das estrelas que me sorriam sempre. Já ouvi o vento a chamar por mim por um sussurro. E então cortaram-me as assas. Cai. Perdi o meu lugar, agora o sol faz-me chorar quando olho para ele. As estrelas são cada vez menos, já nem elas sorriem para mim. O vento empurra-me para o chão. A terra não me deixa respirar. Perdi a liberdade que tive. E é quando penso que me estou a erguer que a força e vontade de respirar se dissolve no ar imundo. Vai fugindo, obrigando-me a rastejar em busca de um resto de força que me faça sorrir. Não encontro. Houve tanto de mim que um dia quis mostrar, e hoje foi-me tirado com um gesto. Escuto palavras que morreram com pessoas, sorrisos que ficam eternos, momentos que acabam quando quero mais. Continuo dando os penosos passos que me levam ao fim do meu caminho. Cada vez mais aqui, a dor de cada passo há de sempre passar por ti. Já soube voar, agora sonho que já cheguei a sonhar.
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