Era uma sexta-feira.
Fiquei por casa, observando,
através da janela da sala, a rua escurecer, enquanto os vizinhos iam acendendo
a luz de teto de uma qualquer divisão. Olhei para o telemóvel, contando
minutos, na esperança de ler uma mensagem tua – “estou aqui” ou “abre”. As horas
passaram, criminosamente, devagar.
Mudei-me de malas e bagagens para
este lugar e fui posto em pausa. Como se me tivesses dito “logo volto a ti”, e
eu, de sorriso nos lábios, esperei. Entretanto, perdi a conta de quantas
sextas-feiras contei.
Ainda fico por casa mas já não
vejo os vizinhos.
O meu telemóvel continua vazio de ti.
As horas passam a correr, desta vez.
Ainda espero.
Até agora. Até amanhã. Talvez,
até sempre.
E ainda é sexta-feira.