E nem sei como cheguei aqui, sabes?
No meio de tudo o que me rodeia,
de todas as vezes que a vida me fez cair e eu me levantei, de todas as vezes
que te esqueci só para te encontrar mais tarde, cheguei a este lugar.
Este lugar que é demasiado
sombrio sem ti, cada vez mais sombrio.
Pedia-te que me levasses comigo
mas as coisas não funcionam desta forma (e talvez hoje seja apenas um outro dia
mau), por isso eu aguento.
Aguento e quando tu me corre mal,
peço-te força emprestada.
E tu dás-ma, sempre.
Mesmo quando não a sinto. Mesmo
quando a sua invisibilidade é menos palpável que oxigénio. Mesmo quando não sei
de ti porque estás longe – sempre longe demais.
Obrigado por isso.
Dói como se tivesse sido ontem –
mas hoje, hoje passaram-se 10 anos.
(18 de julho, 2021)