sexta-feira, 18 de dezembro de 2020

confirmação

E então, tu cospes-me na cara.

Eu, calado, sem reagir perante a dor, questiono-me:

- Como cheguei aqui?

- Como deixei que plantasses ervas daninhas à minha volta?

- Pior, quando comecei a vê-las como se fossem flores?

Como um jardim, em redor da minha casa, no meu chão, eu cuido desse teu ódio. Rego-o. Estimo-o. Aceito-o. Abraço-o.

E é só quando tentas arrancar essas ervas venenosas, que plantaste, enraizadas em desdém, que eu, calado, sem reagir perante a dor, me questiono:

- Eu mereço isto, não é?