Não sei bem onde te deixei. E isso é-me apavorante.
Na
maneira atípica que agora a vida tem de ser, as mudanças que comigo têm surgido
engolem-me. Numa pressa vertiginosa, vejo os caminhos que tracei à minha
frente. Os meus pés caminham a medo. Mas estou quase lá. E, no meio desta balbúrdia,
pensei para comigo: o meu avô ia ficar tão contente por mim.
Foi
então que parei. Foi há 9 anos e pela primeira vez não me recordei de ti.
Como
é que isto aconteceu? Como é que cheguei a um ponto na minha vida em que tu não
fazes mais parte dela? Onde foi que ficaste? Perdi-te. Não de vez mas mais uma
vez. E de vez em vez, a tua lembrança acabou por desvanecer.
Espero
que me perdoes.
A
minha casa vais ser sempre tu, avô – as paredes que me protegem, os alicerces do
que sou.
Nunca
te esqueças disso. Por mim.