sexta-feira, 27 de março de 2020

aloneagain.


“Fiz de ti uma cidade quando ainda nem tinha encontrado a minha casa.”

Foi isto que rascunhei, à pressa, no meu bloco de notas, na última vez que pensei em ti.
Eras o aglomerado de todas as casas que eu queria ter. Via-te nas mobílias que nunca chegámos a escolher e nas divisões que ficaram por decorar. Via-te num futuro a dois quando a minha solidão era bastante percetível. Imaginei-te em tantas casas que, inevitavelmente, acabaste por te tornar uma cidade.
Desde então a minha cidade tem estado mais silenciosa; mais caótica.
Isto foi há dois meses atrás e só agora me lembrei de escrever.
Ainda não encontrei a minha casa.
Agora, que os ponteiros demoram o dobro a mover-se, imagino que quando o fizer, estarei lá. Lá sozinho. Sem ti. Rodeado de pessoas e sozinho. E, se tudo correr bem, tu estarás longe de mim, longe de toda a dor que te causei. Sem sequer, sem saber, sem conseguir evitar.
Numa cidade só tua.