Ao longe, avisto um furacão. Vem direito
a mim, arrastando tudo em seu redor.
Penso em ti.
No meio de todo o ruído, todo o
caos que dali provém, eu pouco sinto. Já passei por pior, penso, o teu silêncio
já me fez mais que isto.
Penso em ti.
A forte brisa começa a
arrastar-me os pés. Mais ou menos como a gravidade que submetes sobre mim. Mas com
menos intensidade, menos crueldade.
Penso em ti.
Um pedaço de vidro lacera-me a
face, como uma bofetada. Não arde. Não queima. Pouco me faz, pouco sinto.
Então, eu penso em ti.
Vou deixar de respirar. E só
quando me apercebo disso, é que consigo fazê-lo. Finalmente.
Fecho os olhos, inspiro fundo e dou um passo em
frente.