Tu
escreves sobre as tuas dores. Escreves sobre o que te falta e o que te passa ao
lado. Escreves sobre quem te falha e sobre o que deixou de ser. Transcreves para
uma página tudo o que te está entalado na garganta na vã esperança de que te
ajude. Não ajuda e tu sabes.
Mas
não é por isso que deixas de tentar.
Repetes
palavras, inventas sentimentos, substituis a realidade. Tentas encontrar algo. Alguma
coisa que faça sentido no caos que é a tua vida. Procuras inspiração em
palavras que contam o que sentes. Procuras que elas te procurem; procuras
sentir.
Por
vezes a dor é tanta que não sabes por onde começar. Dás por ti a olhar para o
nada sem saber o que fazer. Tanta coisa se passa que as palavras ficam mudas. E
quando a folha fica em branco? Percebes que estás vazio. Não tens nada.
E
é só isso que se passa comigo.