quinta-feira, 2 de abril de 2015

ashamed



Como explicar? Não dá para explicar. Quem olha de fora, vê uma família, um lugar para dormir e muitas pessoas distribuindo sorrisos. Ao ver isto é quase impossível acreditar que falte algo. Mas não é essa a verdade.

Há pessoas que passam por pior. Pessoas que sentem dores físicas na pele, que não têm o que comer ou onde dormir. Pessoas que foram abandonadas pelo mundo e que só querem ter alguém do seu lado.

Mas como posso fazer entender que ninguém sente da mesma forma?

Eu não tenho uma família, tenho agregado familiar; eu tenho um lugar para dormir mas não tenho uma casa; eu não distribuo só sorrisos, dou o que esperam de mim.

Não gosto de mim. Nem da minha aparência, nem da minha mentalidade. Acho-me insuficiente, sinto-me sempre aquém das espectativas e preferia não existir. Falam mal de mim e as pessoas acreditam no que lhes é dito. Faço mal a mim mesmo, tanto física como psicologicamente, tenho secretos ataques de ansiedade e de pânico dos quais não sei se vou conseguir sobreviver, e choro todas as noites. 

Já pensei em terminar com a minha vida e só não o faço por culpa.

Mas como pode ser isso importante se tantas outras pessoas vivem de pior forma?

Que sei eu de tristeza? Que sei eu de chorar durante horas seguidas porque não tenho ninguém enquanto corto a minha perna? Que sei eu sobre não conseguir respirar a meio da noite, de cabeça entre as pernas, tentando-me acalmar porque não tenho motivos para sorrir? Nada.

Perdi tudo. Das pessoas mais importantes da minha vida só me restam duas. E eu penso sobre isso. Penso que as vou perder. Penso que quando esse dia chegar não vou ter qualquer motivo para viver. Penso que a solidão é algo que não suporto. Penso que todos têm algo menos eu. E penso, mais uma vez, em acabar com tudo e desistir – fazer um favor a todos e morrer de vez.
Mas que sei eu? Pessoas morrem à fome. Pessoas são violadas e molestadas. Pessoas morrem de frio. Pessoas perdem familiares diariamente.

Eu não sou uma dessas pessoas.

A minha tristeza é imaginação. A minha solidão é um drama. Os meus cortes são manias.

Ando é a ver muitos filmes.