sexta-feira, 27 de março de 2015

Q&A



Mudaste tanto.
Lembras-te de quando não precisavas de ninguém? Quando todos queriam fazer parte da tua vida e tu deixavas sem te importares muito se iam ou ficavam?
Tinhas tudo.
Nunca precisaste realmente de ninguém porque tiveste quem quiseste ao teu lado, sempre. Nunca sentiste a falta, nunca precisaste de te rebaixar para nada.
Mas então “aquilo” aconteceu.
Quando pessoas já perdeste depois dessa? Consegues enumera-las sem ficar com lágrimas nos olhos? Não.
Antes conseguirias.
Falarias com a frieza de quem dá pouca importância, numa indiferente apatia. Olharias nos olhos de quem te abandonou e darias uma gargalhada antes de virar costas.
Costumavas ser forte.
Para onde fugiu essa força? És fraco. Estás perdido e sem rumo. Cais pelos cantos e já nem fingir consegues.
Como é que isto te aconteceu?
Estás sozinho. Não é triste? Estragaram-te. Não sabes confiar e quando o fazes é em demasia. Não sabes amar mas queres desesperadamente que te amem. Gostas de solidão mas não aguentas sentir-te sozinho.
No que te tornaste?
O que isso? Nem tu gostas de ti mesmo. Como esperas que alguém o faça? Sabes qual é o teu maior problema? O teu problema é que dependes muito das pessoas. Acreditas que fazem por ti o que tu fazes por elas.
Diz-me uma coisa. Onde estão essas pessoas?
Ninguém quer saber de ti. És um desperdício de espaço. E a verdade é que se morresses amanhã, ninguém iria notar.
Quanto mais rápido perceberes isso, melhor.