terça-feira, 27 de maio de 2014

noregrets



                Preferia começar este texto com algo do tipo “a última vez que fizemos amor…” mas isso seria uma mentira por isso, em alternativa, começarei da seguinte forma:
                A última vez que partilhamos a mesma cama ficamos parados depois de toda a frenética agitação. Lembro-me de me sentir dentro de ti e acreditar que aquele era o melhor sítio do mundo. Como se me tivesses lido os pensamentos, disseste-me – Quem me dera ficar aqui para sempre, assim.
                Estranhei, não o nego. Nunca foste de expor sentimentos ou de dizer em voz alta lamechices. Aliás, sexo era algo sagrado. Não era fazer amor. Era selvagem e cru. Ambos concordávamos nesse aspecto e era isso que nos unia ainda mais. Os momentos de carinho vinham sempre depois. Quando eu me deixava ficar dentro de ti e abraçados contávamos as pulsações aceleradas de cada um. E agora que penso nisso, são esses pequenos momentos que me trazem um sorriso amargo nos lábios.
                O depois de jogarmos todos os lençóis da cama para o chão. As gargalhadas das pequenas lesões com que ficávamos. As nódoas negras que eu te fazia. As marcas das tuas unhas. As dentadas no meu pescoço. O teu cabelo despenteado.
                Quem diria só teria saudades das saudades com que me deixavas?

quarta-feira, 21 de maio de 2014

someone



                Eu preciso de sentir que tenho alguém. Antes não era assim. Eu podia ficar sozinho dias a fio sem pensar que estava, verdadeiramente, só. Mas agora tudo mudou. De tal forma que se me sinto assim vou ter com pessoas que não me fazem bem. Ou melhor, vou ter com pessoas a quem eu faço mal. Fico preso nestas situações porque me sinto fraco e não sei como reagir. Entrego-me e finjo querer estar lá, quando só o faço porque a alternativa seria ficar desprotegido com os meus pensamentos, e engano a pessoa que está em frente. Não o faço por mal. Sou egoísta, eu sei, mas levei tanto tempo a pensar no bem dos outros que quando preciso de me sentir melhor já não consigo pensar noutra pessoa se não eu. E custa quando chego a casa e fiz planos para algo que não quero. E arranha porque ainda me sinto mais sozinho. E rasga porque sei que farei tudo novamente só para sentir um resto de contacto humano. Tudo é melhor que isto. Tudo.

terça-feira, 13 de maio de 2014

noonecares



                Dei por mim a pensar no futuro. E doeu. Reparei, pela primeira vez, que não fazes parte dele. Tinha de ser assim, não é? Acabo por perder todas as pessoas que me encontram. Sempre foi assim. E eu sempre fui pessimista. Acredito que não farás o esforço que eu quero para me teres na tua vida e acredito que encontrarás quem me substitua. E sabes como o sei? Nunca ninguém precisa de mim.