Não temos falado
porque falámos muito do que não devíamos. Já tenho saudades tuas mas ambos sabemos
que nenhum de nós irá retirar o que disse e posso garantir-te que não irei dar
o primeiro passo para te alcançar. Desta vez vou esperar sem te esperar.
Vou ouvir-te a
voz contando pela enésima vez uma qualquer história e querer ouvi-la. Vou ver-te
o sorriso noutras pessoas e querer sorrir contigo. Vou sentir-te o toque em
outras pessoas e desejar que fosses tu. Vou cumprimentar-te quando passares por
mim na rua e ficar triste. Vou pensar “ainda não acredito no que nos tornámos.”,
e ficar vazio porque te perdi. Mas apenas por instantes. Vou obrigar-me a pensar
em tudo o que passamos e sorrir – espero sinceramente que também o faças.
Sei que se
leres isto irás interpretá-lo como uma despedida qualquer mas acredita que não
o é. Os nossos caminhos estão destinados a cruzarem-se. Já o dissemos e
confirmamos demasiadas vezes para que desta vez seja diferente. E embora eu te
tenha dito que estou cansado isso não quer dizer que tenha desistido de ti. Um dia,
seja daqui a semanas ou anos, vou encontrar-te novamente e começaremos isto
como se nunca tivesse parado. Tudo ficará como antes. Até lá vou sentir a tua
falta. Em segredo. Ficarei calado quando me falarem de ti ou então, tal como as
palavras que juntei neste pequeno texto, responderei um punhado de
aleatoriedades sem qualquer sentido e significado.
Mas isso será apenas
para quem não sabe. Para quem não me conhece na realidade. Porque se tiver que
por tudo em pratos limpos digo-te que ainda não conheço as palavras que irei escrever
mas sei que serão sobre ti. São sempre sobre ti.