sexta-feira, 18 de abril de 2014

pratos limpos


Não temos falado porque falámos muito do que não devíamos. Já tenho saudades tuas mas ambos sabemos que nenhum de nós irá retirar o que disse e posso garantir-te que não irei dar o primeiro passo para te alcançar. Desta vez vou esperar sem te esperar.

Vou ouvir-te a voz contando pela enésima vez uma qualquer história e querer ouvi-la. Vou ver-te o sorriso noutras pessoas e querer sorrir contigo. Vou sentir-te o toque em outras pessoas e desejar que fosses tu. Vou cumprimentar-te quando passares por mim na rua e ficar triste. Vou pensar “ainda não acredito no que nos tornámos.”, e ficar vazio porque te perdi. Mas apenas por instantes. Vou obrigar-me a pensar em tudo o que passamos e sorrir – espero sinceramente que também o faças.

Sei que se leres isto irás interpretá-lo como uma despedida qualquer mas acredita que não o é. Os nossos caminhos estão destinados a cruzarem-se. Já o dissemos e confirmamos demasiadas vezes para que desta vez seja diferente. E embora eu te tenha dito que estou cansado isso não quer dizer que tenha desistido de ti. Um dia, seja daqui a semanas ou anos, vou encontrar-te novamente e começaremos isto como se nunca tivesse parado. Tudo ficará como antes. Até lá vou sentir a tua falta. Em segredo. Ficarei calado quando me falarem de ti ou então, tal como as palavras que juntei neste pequeno texto, responderei um punhado de aleatoriedades sem qualquer sentido e significado.

Mas isso será apenas para quem não sabe. Para quem não me conhece na realidade. Porque se tiver que por tudo em pratos limpos digo-te que ainda não conheço as palavras que irei escrever mas sei que serão sobre ti. São sempre sobre ti.