São
pequenos grandes detalhes como este que me preocupam: nada te impede de me
deixar. Um dia podes acordar e achar que, por alguma razão, já passou o nosso
tempo e sair. Podes ter uma epifania qualquer e nunca mais querer olhar para a
minha cara, ouvir a minha voz ou estar na minha presença. E eu vou vivendo
desta forma isto que temos entre nós. Com um pressentimento de que uma vontade
repentina ou um qualquer acontecimento na tua vida te irá fazer partir.
Confesso que conto os dias até que este momento chegue. Sempre fui assim –
esperando o pior e aguentando com medo o melhor. Não quero que vás. Se fores
sei que nunca mais te vou encontrar…
sexta-feira, 28 de março de 2014
domingo, 23 de março de 2014
the others
Os
outros. Na minha cabeça os outros, ou melhor, os meus outros estão sempre em
primeiro lugar. Eu ponho as necessidades deles em frente das minhas. Penso
neles primeiro que em mim. Sacrifico-me para que todos estejam bem e felizes.
Não os consigo ver mal e faço tudo, mesmo tudo para que estejam novamente
felizes. Isso tem-se revelado um grande problema. Posso pensar assim mas
aparentemente estou sozinho. Ninguém faz nada por mim. Aliás, ainda pedem mais
de mim. Não se importam que eu esteja mal para que eles estejam bem. Não sei
como é que ainda considero isto de “amizade”. Talvez seja esse o problema – só
porque eu acredito que seja amizade, não quer dizer que seja reciproco. E isso
é mais um corte no meu braço porque se não é realmente amizade, estou mais
sozinho do que pensava…
terça-feira, 18 de março de 2014
Não
sei o que se passa. Mesmo. Nunca estive assim. Ultrapassei todos os limites e
não me sinto capaz de parar. Li algures que embora pareça saudável, não é uma
solução. O alívio não dura e a ânsia regressa. Aconselham a que falemos com
pessoas mas não posso contar isto a ninguém, nem eu consigo compreender. Nunca
tive vícios prejudiciais mas já consigo ver as marcas deste no meu corpo. No que é que me tornei? - 08.03.14
sábado, 8 de março de 2014
ghost stories
Não
sei como escrever isto. Já quis escreve-lo antes mas a coragem falhou. Foi pouco
sem saber e muito sem querer. Não foi por mal. Aconteceu. Tu com todas as tuas
inseguranças e indecisões e eu com todas as minhas certezas e afirmações – Nós com
este nosso maldito orgulho. Perdemo-nos novamente. Há coisas que não mudam,
disseste-me tu. Mal sabíamos nós que a única coisa que se manteve foi a nossa
capacidade infinita de errarmos um com o outro. Desta vez não retiro o que disse
– “se não fores tu, não sei quem será.” – e fico no meu canto em vez de te
apontar o dedo. Fico no meu canto evocando todas as histórias fantasmas que
partilhámos com uma triste ironia de quem sabe que não há volta a dar. As palavras,
elas escassas tanto para falar contigo como para as escrever, fazem as malas
para partir. E antes que elas partam de vez só quero mesmo dizer-te que o cansaço
bateu à porta e eu deixei-o entrar. É só isso.
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