Não
sei como escrever isto. Já quis escreve-lo antes mas a coragem falhou. Foi pouco
sem saber e muito sem querer. Não foi por mal. Aconteceu. Tu com todas as tuas
inseguranças e indecisões e eu com todas as minhas certezas e afirmações – Nós com
este nosso maldito orgulho. Perdemo-nos novamente. Há coisas que não mudam,
disseste-me tu. Mal sabíamos nós que a única coisa que se manteve foi a nossa
capacidade infinita de errarmos um com o outro. Desta vez não retiro o que disse
– “se não fores tu, não sei quem será.” – e fico no meu canto em vez de te
apontar o dedo. Fico no meu canto evocando todas as histórias fantasmas que
partilhámos com uma triste ironia de quem sabe que não há volta a dar. As palavras,
elas escassas tanto para falar contigo como para as escrever, fazem as malas
para partir. E antes que elas partam de vez só quero mesmo dizer-te que o cansaço
bateu à porta e eu deixei-o entrar. É só isso.